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'Espero que a verdade vença', diz ucraniano desclassificado dos Jogos de Inverno
O atleta ucraniano do skeleton Vladislav Heraskevich, desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno por não desistir de usar seu "capacete memorial", se mostrou otimista ao depor no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) em Milão.
"Estamos agora esperando a decisão", que deve ser comunicada ao longo desta sexta-feira (13), "mas como podem ver, estou feliz, estou bastante otimista sobre como tudo ocorreu", declarou Heraskevich aos jornalistas.
O atleta de 27 anos, que foi o porta-bandeira da delegação da Ucrânia na cerimônia de abertura dos Jogos, foi desclassificado por ter insistido em competir usando um capacete com imagens serigrafadas de atletas ucranianos que morreram no conflito com a Rússia, algo que o Comitê Olímpico Internacional (COI) considerou contra suas normas de neutralidade política.
"Espero que a verdade vença. Sei que sou inocente", acrescentou Heraskevich, que depôs por duas horas e meia diante da alemã Annett Rombach, árbitra única designada pelo TAS para decidir sobre este litígio.
O ucraniano pediu ao TAS a anulação de sua desclassificação, que ele considera "desproporcional e não baseada em uma violação técnica ou de segurança" e que lhe causa "danos esportivos irreparáveis".
O COI tentou até o último momento na manhã de quinta-feira, horário de início da competição do skeleton masculino, convencer Heraskevich, que se recusou a usar uma braçadeira preta ao invés do capacete, considerando isso uma questão de "dignidade".
A desclassificação de Heraskevich na quinta-feira desencadeou uma tempestade política em torno do COI e irritou particularmente a Ucrânia, onde o presidente Volodimir Zelensky considerou que o comitê estava "seguindo o jogo do agressor" com essa medida.
Recorrendo ao Artigo 50 de sua Carta Olímpica, o COI tem insistido nos últimos dias que os atletas não podem transmitir mensagens políticas ou religiosas nos locais de competição, na Vila Olímpica ou nas cerimônias, mas ressalta que tais mensagens são permitidas em entrevistas coletivas, nas zonas mistas e nas redes sociais.
Como em ocasiões anteriores, o TAS destaca uma câmara ad hoc para o local dos Jogos Olímpicos, a fim de decidir rapidamente sobre quaisquer litígios que possam surgir durante o evento.
B.Baumann--VB