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Jornalista guatemalteco que investigava casos de corrupção deixa a prisão
O jornalista guatemalteco José Rubén Zamora deixou a prisão na noite de quinta-feira (12), depois que um juiz concedeu o direito à prisão domiciliar devido aos processos abertos pelo Ministério Público em 2022, que foram criticados pela comunidade internacional.
Zamora, de 69 anos, fundador do extinto jornal El Periódico, passou três anos e meio preso, acusado pelo MP de lavagem de dinheiro e falsificação de documentos, acusações que organizações como a Anistia Internacional consideram uma armação para tentar silenciá-lo por suas denúncias contra o antigo governo de direita.
"Passei mais tempo na prisão do que o devido, vivi uma situação de tortura, de repressão psicológica, fui uma espécie de cadáver vivo, mas acredito que valeu a pena", disse Zamora à imprensa após a audiência em que recebeu o direito à prisão domiciliar.
O juiz Maximino Morales argumentou que o jornalista já cumpriu a pena por falsificação de documentos de forma contínua, como estabelece o código penal, razão pela qual "é concedida a prisão domiciliar em sua própria residência, sem qualquer vigilância".
O jornalista, no entanto, está proibido de sair do país, determinou o juiz após ouvir os argumentos da defesa e do Ministério Público em uma audiência.
Zamora foi preso em 29 de julho de 2022 após publicar denúncias de casos de corrupção que envolviam o então presidente Alejandro Giammattei (2020-2024), próximo da procuradora-geral Consuelo Porras, sancionada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, que a consideram "corrupta" e "antidemocrática".
O jornal fechou em 2023 em meio a dificuldades econômicas que se agravaram pela ausência de seu fundador.
Em 2024, Zamora foi declarado "prisioneiro de consciência" pela Anistia Internacional, que considera que ele foi preso por seu trabalho jornalístico de investigação e denúncia da corrupção.
Para a organização, o profissional da imprensa guatemalteco é vítima de acusações "infundadas que estão inseridas em um padrão de perseguição penal por motivos políticos contra operadores da justiça, jornalistas e defensoras de direitos humanos que lutaram contra a corrupção e a impunidade na Guatemala".
A.Ruegg--VB