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Países da OEA 'devem escutar seu povo' e apoiar transição na Venezuela, diz Machado
Os países da Organização de Estados Americanos (OEA) devem escutar seus povos, que apoiam a transição política na Venezuela, declarou, nesta terça-feira (20), a líder opositora venezuelana, María Corina Machado, após se reunir com o secretário-geral da entidade, Albert Ramdin.
A OEA tem se mostrado dividida sobre a crise venezuelana, após a deposição e captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro. Os dois agora aguardam julgamento por tráfico de drogas em Nova York.
"Este é um momento no qual absolutamente todos os países que são Estados-membros da OEA devem escutar seu povo, porque eu sei que os povos deste hemisfério nos acompanham", disse a jornalistas Machado, prêmio Nobel da Paz, após o encontro com Ramdin.
"Tem alguns que, por razões políticas, têm sido mais relutantes, (mas) é o momento de agir", acrescentou.
Machado visitou a sede da OEA como parte de sua agenda de encontros em Washington, onde na quinta-feira passada entregou sua medalha do Nobel ao presidente Donald Trump, em agradecimento por seu apoio.
O Conselho Permanente da OEA, órgão executivo da organização, se reunirá, nesta terça-feira, para abordar a situação dos presos políticos venezuelanos, que o governo da atual presidente interina, Delcy Rodríguez, vem libertando pouco a pouco desde que assumiu o poder, após a captura de Maduro por forças americanas.
Machado assegurou ter encontrado uma posição "muito racional, sensata e prudente" no secretário-geral da OEA.
"Mais que olhar para trás, sobre o ocorrido anteriormente ou o que representou o 3 de janeiro, estamos nesta situação em que há um processo, um caminho pela frente para a reinstitucionalização e a democracia", disse a líder opositora.
Ramdin reiterou a disponibilidade da organização regional para enviar especialistas que facilitem a mediação, a convocação de eleições e a libertação de presos por motivos políticos.
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) exigiu em várias ocasiões poder visitar as prisões venezuelanas. A última vez foi em 2022.
"Não é possível falar de transição com repressão. De modo que o primeiro que tem que ocorrer, a prioridade neste momento é, obviamente, a libertação dos presos políticos. Mas a liberdade real", pediu Machado.
Machado tinha estado pela última vez na OEA em 2014, então como deputada da oposição, incluída na delegação do Panamá para denunciar uma onda de violência na Venezuela.
R.Flueckiger--VB