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Reino Unido defende devolução de Chagos às ilhas Maurício após crítica de Trump
O Reino Unido defendeu, nesta terça-feira (20), sua decisão de devolver o arquipélago de Chagos às ilhas Maurício, após Donald Trump ter classificado o acordo como "uma grande estupidez".
Após anos de negociações, Londres concordou em devolver Chagos às ilhas Maurício, ex-colônia britânica à qual este arquipélago no oceano Índico pertencia, sob a condição de que uma base militar conjunta britânico-americana permanecesse no local.
Tendo inicialmente apoiado o acordo assinado em maio de 2025, Trump mudou de ideia nesta terça-feira e classificou a decisão de Londres como "uma grande estupidez".
"Para o Reino Unido ceder terras de enorme importância é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ, e é mais um em uma longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Groenlândia deve ser adquirida", declarou ele em sua rede social Truth Social.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu o acordo, afirmando que ele "garante as operações da base conjunta britânico-americana em (na ilha de) Diego Garcia por gerações".
Apenas alguns dias antes, Trump já havia ameaçado impor tarifas ao Reino Unido e a outros países europeus por resistirem aos seus planos de anexar a Groenlândia, uma ilha autônoma dinamarquesa rica em recursos, alegando preocupações com a segurança nacional.
O acordo "foi saudado publicamente pelos Estados Unidos, Austrália e os demais aliados da aliança Five Eyes — uma aliança de inteligência formada por cinco países anglo-saxões — assim como por parceiros importantes como Índia, Japão e Coreia do Sul", acrescentou o porta-voz do governo britânico.
O Reino Unido manteve o controle das ilhas Chagos após a independência de Maurício em 1968.
Em 2019, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) recomendou que o Reino Unido entregasse o arquipélago a Maurício após décadas de batalhas judiciais.
A oposição britânica tem criticado o acordo, que estipula que o Reino Unido pagará a Maurício 101 milhões de libras (R$ 727 milhões, na cotação atual) anualmente por 99 anos pelo arrendamento de Diego Garcia.
E.Burkhard--VB