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Papa manifesta 'grave preocupação' e pede que se 'respeite a vontade do povo venezuelano'
O papa Leão XIV afirmou, nesta sexta-feira (9), que o aumento das tensões no Caribe e no Pacífico é motivo de "grave preocupação" e pediu que se "respeite a vontade do povo venezuelano", após o ataque dos Estados Unidos que derrubou o presidente Nicolás Maduro.
"A escalada de tensões no mar do Caribe e ao longo da costa pacífica americana é motivo de grave preocupação (...) Isso se refere em particular à Venezuela, à luz dos acontecimentos recentes", disse o papa em audiência com membros do corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé.
Desde agosto, os Estados Unidos mobilizaram contingente militar no Caribe - incluindo três navios destróieres equipados com lançadores de mísseis e hangares - e bombardearam embarcações procedentes da Venezuela em nome do combate às drogas, operações cuja legalidade foi questionada por especialistas, ONGs e autoridades das Nações Unidas.
Também realizaram ataques semelhantes no Pacífico oriental, sem apresentar provas de que as pessoas a bordo fossem traficantes de drogas.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram posteriormente capturados em 3 de janeiro, em um ataque militar surpresa durante a madrugada, em Caracas, uma operação que agitou o cenário diplomático mundial.
"Renovo meu apelo para que se respeite a vontade do povo venezuelano e que os direitos humanos e civis de todos sejam preservados, garantindo um futuro de estabilidade e concórdia", acrescentou o pontífice.
O líder católico também pediu que se busquem "soluções políticas pacíficas para a situação atual, levando em conta o bem comum dos povos e não a defesa de interesses partidários".
Leão XIV criticou ainda o uso crescente da força como forma de conduzir as relações internacionais.
"A guerra voltou a estar na moda e o entusiasmo bélico se espalha. Rompeu-se o princípio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de usar a força para violar as fronteiras alheias", disse o bispo de Roma.
"A diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força", enfatizou.
G.Haefliger--VB