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Groenlândia agradece apoio de líderes europeus ante ameaças de Trump
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, agradeceu nesta terça-feira (6) aos líderes europeus por expressarem seu apoio ao território autônomo dinamarquês, em resposta às repetidas reivindicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A intervenção militar dos EUA na Venezuela reacendeu os planos de Trump para o território do Ártico, que possui jazidas inexploradas de terras raras e poderia desempenhar um papel fundamental à medida que o derretimento do gelo polar abre novas rotas marítimas.
Nielsen reiterou que a Groenlândia não está à venda e que somente os groenlandeses devem decidir seu futuro.
Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha já haviam se juntado à Dinamarca ao reafirmar seu compromisso com os "princípios universais" de "soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras".
"Este apoio é importante em um momento em que os princípios internacionais fundamentais estão sendo desafiados", escreveu Nielsen nas redes sociais.
"Por esse apoio, desejo expressar minha mais profunda gratidão. Em um momento em que o presidente dos Estados Unidos reafirmou que seu país leva a Groenlândia muito a sério, esse apoio de nossos aliados da Otan é importante e inequívoco", acrescentou.
Washington já mantém uma base militar na Groenlândia, lar de cerca de 57.000 pessoas.
Trump indicou no domingo que uma decisão sobre a Groenlândia poderia ser tomada "em cerca de dois meses", assim que a situação na Venezuela, onde as forças americanas capturaram o presidente deposto Nicolás Maduro, se tornar menos urgente.
Os líderes europeus enfatizaram em uma declaração conjunta que "cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que lhes dizem respeito".
"O reino da Dinamarca — incluindo a Groenlândia — é membro da Otan. Portanto, a segurança no Ártico deve ser garantida coletivamente, em cooperação com os aliados da Otan, incluindo os Estados Unidos", acrescentaram os líderes.
Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, e os chefes de governo da Alemanha, Friedrich Merz; Itália, Giorgia Meloni; Polônia, Donald Tusk; Espanha, Pedro Sánchez; Reino Unido, Keir Starmer; e Dinamarca, Mette Frederiksen, essa cooperação deve respeitar "os princípios da Carta das Nações Unidas, em particular a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras".
"São princípios universais e não deixaremos de defendê-los", acrescentaram.
Nielsen, por sua vez, insistiu em manter um "diálogo respeitoso através dos canais diplomáticos e políticos apropriados, e por meio do uso de fóruns existentes com base em acordos já assinados com os Estados Unidos".
M.Betschart--VB