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EUA confisca petróleo de navio apreendido no Caribe e anuncia novas sanções
Os Estados Unidos vão confiscar o petróleo do navio-tanque que apreenderam na quarta-feira em frente à costa venezuelana e impor sanções contra sobrinhos do presidente Nicolás Maduro e empresas de navegação que transportem petróleo venezuelano, uma escalada significativa no confronto com o governo de Maduro.
O líder venezuelano conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, que reiterou seu apoio.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se "preocupado" com a apreensão do navio, sancionado há anos por transportar petróleo de países como Venezuela e Irã.
De Oslo, para onde conseguiu viajar após receber o Prêmio Nobel da Paz, a opositora venezuelana María Corina Machado manifestou seu apoio ao presidente americano Donald Trump e à sua campanha contra Maduro.
- Conduzido a um porto nos EUA -
A tripulação do navio está sendo interrogada e a embarcação será conduzida a um porto americano, anunciou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
O petroleiro, que no passado navegava sob o nome Adisa, havia sido identificado pelo Departamento do Tesouro em 2022 por supostos vínculos com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã e o Hezbollah.
No momento da abordagem, transportava 1,1 milhão de barris de petróleo.
"Há um processo legal para confiscar esse petróleo, e esse processo legal será realizado", declarou a porta-voz.
A apreensão foi um golpe ao "regime" socialista de Caracas, declarou no Congresso a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem.
"Foi uma operação bem-sucedida [...] para garantir que estamos contra-atacando um regime que sistematicamente enche o nosso país de drogas mortais", disse Noem em uma audiência no Congresso.
Ao contrário dos ataques letais em alto-mar contra lanchas supostamente utilizadas pelo narcotráfico, que causaram pelo menos 87 mortes desde setembro, esta operação foi acompanhada de uma ordem de confisco, em mãos do FBI.
Confiscar petróleo representa uma escalada significativa na campanha de hostilidade contra a Venezuela, um país devastado pela crise econômica e isolado politicamente, que sobrevive graças à venda de seus recursos naturais.
O ataque foi um "roubo descarado" e um "ato de pirataria internacional", protestou o governo de Maduro.
O mandatário, ele próprio alvo de sanções por supostamente liderar o denominado Cartel de los Soles, conversou por telefone com Putin.
Segundo a Presidência russa, os dois mandatários confirmaram ainda seu "compromisso mútuo" com a implementação de projetos russo-venezuelanos.
Cuba também expressou sua solidariedade ao governo Maduro, do qual possui uma dependência vital para suas necessidades energéticas.
- Acusações e sanções -
Washington acusa há anos a Venezuela de ser um Estado nas mãos de narcotraficantes.
Além das acusações formais contra o próprio Maduro em um tribunal de Nova York, dois de seus sobrinhos foram detidos no Haiti em 2016, acusados de tráfico de drogas.
Franqui Francisco Flores de Freitas e seu primo Efraín Antonio Campos Flores -- sobrinhos de Cilia Flores, esposa de Maduro -- foram condenados em 2017 em Nova York e posteriormente libertados pelo presidente democrata Joe Biden, em troca de sete presos americanos na Venezuela.
O Departamento do Tesouro retomou agora o caso e anunciou novas sanções contra eles, bem como contra outro sobrinho, Carlos Erik Malpica Flores, e contra seis empresas de navegação que transportam petróleo venezuelano.
Washington deslocou para a região uma considerável força de ataque e dissuasão, com o maior porta-aviões do mundo e dezenas de caças, além de milhares de fuzileiros navais, a bordo de navios em alto-mar e em locais como Porto Rico.
Trump afirmou também que deu luz verde à sua agência de inteligência, a CIA, para operar dentro da Venezuela.
A opositora María Corina Machado assegurou, ao chegar a Oslo, que os Estados Unidos a ajudaram a sair do país.
"Vim receber o prêmio em nome do povo venezuelano e o levarei à Venezuela no momento adequado", acrescentou ela diante de jornalistas.
P.Keller--VB