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Rússia e Ucrânia, dispostas a seguir negociando para encerrar o conflito
Moscou e Kiev se mostraram dispostas, nesta quarta-feira (3), a prosseguir com os diálogos sobre o conflito na Ucrânia um dia depois da reunião entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o emissário americano Steve Witkoff, que não teve nenhum avanço concreto.
Há semanas, os Estados Unidos tentam que os dois lados aceitem um plano de paz após quase quatro anos de combates desencadeados pela ofensiva do Kremlin contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
No entanto, é muito difícil alcançar um compromisso enquanto o exército russo segue avançando no front. O assessor diplomático de Putin, Yuri Ushakov, considerou que os recentes "êxitos" do exército russo no campo de batalha "influenciaram" os diálogos sobre a Ucrânia.
Segundo Ushakov, a "questão-chave" da participação de Kiev na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), à qual Moscou se opõe categoricamente, foi abordada durante as conversas.
O negociador de Kiev, Rustem Umerov, tem previsto se reunir, nesta quarta, com os europeus em Bruxelas, antes de um encontro nos Estados Unidos com os emissários do presidente Donald Trump, anunciou o chefe de Estado ucraniano, Volodimir Zelensky.
Acompanhado de uma delegação ucraniana, Umerov já tinha conversado no domingo na Flórida sobre o plano americano para encerrar o conflito.
- "Nenhuma solução de compromisso" -
A intensa atividade diplomática não conseguiu alcançar um acordo sobre a questão-chave dos territórios. A Rússia reivindica que a Ucrânia lhe ceda completamente a região de Donetsk, no leste ucraniano, epicentro dos combates.
O enviado especial americano Steve Witkoff e o genro do presidente americano, Jared Kushner, se reuniram na terça-feira durante quase cinco horas com Putin.
Durante o encontro realizado no Kremlin, falaram sobre o plano apresentado por Washington há duas semanas e revisado posteriormente após consultas aos ucranianos.
A Rússia controla aproximadamente 19 % da Ucrânia. No entanto, sobre esta questão, "ainda não foi adotada nenhuma solução de compromisso", embora "algumas propostas americanas possam ser discutidas", declarou o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, por sua vez, afirmou, nesta quarta-feira, que está disposto a se reunir "tantas vezes quanto for necessário" com autoridades americanas para encontrar uma saída para o conflito.
- Ameaças de Putin -
Putin ameaçou os europeus, acusando-os de "impedir" os esforços de Washington para encerrar o conflito.
"Não temos a intenção de ir para a guerra com a Europa, mas se a Europa quiser e começar, estamos prontos", declarou o presidente russo a jornalistas durante um fórum econômico.
A diplomacia alemã considerou, nesta quarta-feira, que a Rússia não estava "em modo de negociação" para encontrar uma solução diplomática para o conflito, enquanto o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, lamentou que as condições para uma "paz justa" tivessem "poucas possibilidades de se apresentar".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou, por sua vez, o plano da União Europeia para financiar a Ucrânia durante dois anos e "colocá-la em uma posição de força" nas negociações com a Rússia.
Os europeus temem que o governo Trump, suspeito de se mostrar complacente com Putin, possa sacrificar a soberania da Ucrânia, considerada um baluarte frente à Rússia.
No front, as forças russas, mais numerosas, continuam avançando de forma constante, embora lenta, em alguns setores.
As tropas de Moscou reivindicaram, na segunda-feira, a tomada da cidade de Pokrovsk, no leste da Ucrânia, um entroncamento importante para Kiev, assim como de Vovchansk, no nordeste. Mas a Ucrânia afirmou, na terça-feira, que os combates em Pokrovsk continuam.
F.Mueller--VB