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Ucrânia e Rússia trocam ataques enquanto negociadores se apressam por acordo
Ucrânia e Rússia trocaram, nesta terça-feira (25), ataques aéreos "maciços" que deixaram pelo menos dez mortos, enquanto os negociadores se apressam em revisar o plano dos Estados Unidos para pôr fim à guerra.
O presidente americano, Donald Trump, deu à Ucrânia prazo até 27 de novembro - feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos - para dar uma resposta à sua proposta, um prazo e um plano que os líderes europeus rejeitaram.
Os países da chamada Coalizão de Voluntários, que apoiam a Ucrânia, vão realizar, nesta terça, uma nova reunião por videoconferência para apressar os esforços para encontrar uma saída.
O secretário do Exército dos Estados Unidos, Dan Driscoll, por sua vez, vai prosseguir com os diálogos iniciados na segunda-feira com uma delegação russa em Abu Dhabi, segundo veículos de comunicação americanos e britânicos.
Os habitantes de Kiev, a capital ucraniana, viveram outra noite difícil após uma série de bombardeios que deixaram ao menos sete mortos e 19 feridos, segundo os serviços de emergência e a polícia.
Os moradores de vários edifícios residenciais foram retirados de seus apartamentos em chamas. "Em poucos minutos, o apartamento se encheu de tanta fumaça que não entendíamos o que estava acontecendo, nem para onde ir. Não víamos nada", contou à AFP Iryna Kukurik, uma moradora.
A Rússia lançou no total 486 drones e mísseis em todo o país, segundo a Força Aérea ucraniana, que afirmou ter interceptado 452.
O ministro ucraniano de Relações Exteriores, Andrii Sibiga, denunciou os bombardeios russos, assegurando que são a "resposta terrorista" do presidente russo, Vladimir Putin, aos esforços para pôr fim à invasão da Rússia.
- Semana de negociações -
A Ucrânia, por sua vez, atacou a Rússia com cerca de 250 drones, um dos números mais altos desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, segundo as autoridades russas, que reportaram três mortos na região meridional de Rostov.
As autoridades da vizinha Krasnodar, em frente ao mar Negro, também reportaram um ataque aéreo ucraniano em grande escala contra várias cidades que deixou pelo menos seis feridos.
Esta nova noite de confrontos ocorre depois que a Rússia descartou, na segunda-feira, uma contraoferta europeia ao plano de Trump para pôr fim à guerra, considerado muito favorável aos interesses russos.
Foram convocados diálogos em caráter urgente para o domingo em Genebra entre ucranianos, americanos e europeus com base na proposta americana, bem recebida por Moscou e que inclui em particular a cessão de territórios pela Ucrânia e uma redução de seu exército.
No entanto, Kiev e seus aliados na Europa consideraram o plano uma "capitulação" a favor do Kremlin.
A Ucrânia espera agora "organizar a visita do presidente Zelensky aos Estados Unidos o quanto antes em novembro para finalizar os passos restantes e chegar a um acordo com o presidente Trump", declarou no X o secretário do Conselho de Segurança ucraniano, Rustem Umerov, um dos principais negociadores.
O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou, nesta terça-feira, que a Rússia aguarda que os Estados Unidos apresentem a nova versão de sua proposta.
- "Paz ruim" -
Os países da Coalizão de Voluntários que apoiam a Ucrânia vão se reunir na tarde desta terça por videoconferência.
O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu que não sejam "fracos" diante da "ameaça" da Rússia.
Na frente de batalha, o exército russo continua avançando lentamente ao longo da linha oriental e nos últimos dias reivindicou a conquista de vários vilarejos.
Ivan Zadontsev, sargento das forças ucranianas, se mostra cético diante das negociações. "Estamos cansados da guerra", declarou à AFP nesta terça-feira, mas ele teme que a proposta inicial dos Estados Unidos represente uma "paz ruim".
"Nem os Estados Unidos, nem a UE compreendem as causas profundas da guerra", comentou, considerando que "seus planos não servem aos interesses da Ucrânia".
Os ataques russos também voltaram a causar danos às infraestruturas energéticas ucranianas, que são alvo de ataques sistemáticos, enquanto a população se prepara para um novo inverno marcado pelos cortes de eletricidade, gás e água.
O.Schlaepfer--VB