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Cuba denuncia 'campanha caluniosa' dos EUA contra resolução sobre embargo na ONU
Os Estados Unidos realizaram uma "campanha caluniosa" e "mentirosa" para pressionar os países da América Latina e da Europa a não apoiarem na ONU a resolução que pede o fim do embargo americano a Cuba, disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, nesta quarta-feira (22).
Rodríguez informou que as autoridades americanas enviaram comunicados e cartas a representantes de outras nações, alegando que Havana havia mandado militares a participar ao lado da Rússia na guerra com a Ucrânia.
Washington lançou "uma campanha caluniosa, mentirosa, de intoxicação informativa, dirigida não só a distorcer a imagem de Cuba, mas a gerar elementos de pressão contra países terceiros" para que não apoiem a resolução que será votada em 28 e 29 de outubro na Assembleia Geral da ONU, disse o chanceler cubano a jornalistas.
Ele assegurou ter em seu poder dois comunicados enviados às delegações dos países americanos e europeus na ONU, além de cartas endereçadas a chanceleres, presidentes e embaixadores nas quais Washington fala "do suposto envolvimento de Cuba no conflito na Europa, na guerra na Ucrânia".
"Até 20.000 cidadãos cubanos foram recrutados", acrescentou o chanceler, ao ler trechos de documentos que não entregou à imprensa.
"Todo mundo sabe que isso é mentira", exclamou.
Os Estados Unidos pedem "em seu discurso que retirem suas posições", caso contrário, "vão legitimar a propaganda de Cuba e vão minar (...) os aliados democráticos dos Estados Unidos", acrescentou Rodríguez.
A resolução que pede o fim do embargo a Cuba foi aprovada no ano passado com 187 votos a favor, dois contra - Estados Unidos e Israel, seu aliado - e uma abstenção (Moldávia).
O projeto do governo ucraniano "I Want to Live" (Eu quero viver) informou recentemente que a Rússia recrutou mercenários cubanos desde o começo de 2023. "Sabemos com certeza os nomes e os dados pessoais de 1.028 cubanos que assinaram contratos com as Forças Armadas Russas em 2023-2024", assinalou.
Há dois anos, veio à tona o caso de dois jovens cubanos de 19 anos que disseram ter sido recrutados por meios enganosos por pessoas que os contactaram pelo Facebook para trabalhar como pedreiros em obras de construção com o exército russo na Ucrânia. Estes cubanos pediam ajuda para não serem enviados para a frente de batalha.
Há alguns dias, Cuba informou que 26 pessoas tinham sido condenadas na ilha a penas de 5 a 14 anos de prisão pelo "crime de mercenarismo".
L.Stucki--VB