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Afeganistão acusa Paquistão de retomar bombardeios em seu território
O Paquistão realizou bombardeios contra o território afegão na noite desta sexta-feira (17), rompendo, segundo Cabul, o cessar-fogo que durante dois dias havia trazido calma à fronteira após confrontos mortais.
Quando o cessar-fogo foi anunciado na quarta-feira às 13h00 GMT (10h00 em Brasília), o Paquistão afirmou que duraria 48 horas, mas o Afeganistão considerou que estaria em vigor até que a outra parte o violasse.
"Há poucos minutos, o Paquistão rompeu o cessar-fogo e bombardeou três locais [na província fronteiriça de] Paktika", declarou à AFP um alto funcionário talibã sob condição de anonimato, prometendo que seu país "responderá".
Um responsável do hospital provincial de Paktika afirmou à AFP, também sob anonimato, que "10 civis morreram", entre eles duas crianças, "e outros 12 ficaram feridos".
Anteriormente, o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, disse que as autoridades afegãs haviam orientado os soldados a "não atacar, a menos que as forças paquistanesas o façam. Se o fizerem, então têm todo o direito de defender seu país".
Às 13h00 GMT (10h00 em Brasília), quando segundo Islamabad a trégua havia expirado, nenhuma das partes havia informado sobre uma prorrogação nem anunciado oficialmente conversas bilaterais a respeito.
"Vamos esperar que passem as 48 horas e veremos se o cessar-fogo se mantém", havia declarado à tarde Shafqat Ali Khan, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, assegurando que tentariam "trabalhar pela via diplomática para que fosse duradouro".
Na quinta-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que a bola estava "no campo" das autoridades de Cabul, denunciando mais uma vez o fato de que "terroristas operam com impunidade no lado afegão da fronteira".
O cessar-fogo manteve-se durante dois dias, devolvendo a calma às regiões fronteiriças e a Cabul, após uma explosão de violência de intensidade incomum.
O confronto começou na semana passada após uma série de explosões na capital afegã, que as autoridades talibãs atribuíram ao vizinho Paquistão. Em represália, no sábado passado, lançaram uma ofensiva na fronteira, à qual Islamabad prometeu uma "resposta contundente".
A violência deixou dezenas de mortos, tanto combatentes quanto civis, especialmente na quarta-feira.
A escalada militar insere-se no contexto das recorrentes tensões bilaterais, alimentadas por questões migratórias e de segurança.
O Paquistão, que enfrenta uma nova onda de ataques contra suas forças de segurança, acusa constantemente o vizinho afegão de "abrigar" grupos "terroristas", algo que Cabul nega.
O.Schlaepfer--VB