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Passagem de fronteira crucial para entrada de ajuda em Gaza permanece fechada
A passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e Egito, permaneceu fechada nesta quarta-feira (15), apesar dos relatos de sua reabertura para permitir um fluxo massivo de ajuda humanitária para o território palestino, conforme estipulado no acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel.
No início do dia, a emissora pública israelense KAN afirmou que a reabertura era iminente, mas fontes humanitárias disseram à AFP que ainda não havia acontecido e uma porta-voz do governo ignorou perguntas sobre o assunto.
O chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, expressou frustração pelo fato de a ajuda humanitária ainda não estar fluindo para o devastado território palestino, apesar do cessar-fogo.
"Como o Hamas concordou, eles devem fazer todo o possível para devolver urgentemente os corpos de todos os reféns mortos. Também estou profundamente preocupado com as evidências de violência contra civis em Gaza", disse Fletcher.
"Como Israel concordou, eles devem permitir a chegada de ajuda humanitária em massa — milhares de caminhões por semana — da qual tantas vidas dependem e que o mundo tem exigido. Precisamos que mais passagens de fronteira sejam abertas", acrescentou Fletcher.
- Entrega de reféns mortos -
Enquanto isso, de acordo com o plano de Trump apoiado por mediadores internacionais, Israel e o Hamas devem prosseguir com a troca de corpos, que também enfrentou um obstáculo inesperado nesta quarta-feira.
O acordo de cessar-fogo permitiu que os últimos 20 reféns ainda vivos e mantidos em cativeiro em Gaza retornassem para casa na segunda-feira, em troca da libertação de quase 2.000 prisioneiros palestinos das prisões israelenses, assim como o fim dos combates e bombardeios.
O Hamas também deve entregar os restos mortais de todos os reféns falecidos, embora até o momento tenha devolvido a Israel apenas oito dos 28 corpos planejados. Além disso, um deles não corresponde ao de nenhum refém previsto, informou o Exército israelense.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta crescente pressão interna para vincular a ajuda a Gaza à devolução dos restos mortais dos reféns.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, pediu o corte do fornecimento de ajuda a Gaza caso o Hamas não devolva os restos mortais dos soldados que ainda estão no território.
Israel entregou outros 45 corpos palestinos ao Hospital Nasser, no sul de Gaza, nesta quarta-feira, elevando o total de corpos devolvidos para 90, informou o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas.
Segundo o plano de Trump, Israel deve entregar 15 corpos de palestinos para cada refém israelense falecido devolvido.
- Desarmamento "talvez violento" -
A guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas ao solo israelense em 7 de outubro de 2023, causou uma catástrofe humanitária no território palestino, que foi sitiado por Israel.
No final de agosto, as Nações Unidas declararam algumas áreas de Gaza em estado de fome, uma alegação que Israel rejeita.
A retomada da ajuda humanitária está incluída no plano de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, para o estreito território.
Outro ponto é o desarmamento do Hamas, uma exigência rejeitada pelo grupo islamista, que governa Gaza desde 2007.
O movimento atualmente fortalece seu controle sobre as cidades devastadas do território com uma campanha de repressão na qual executa supostos colaboradores.
O Hamas publicou um vídeo em seu canal oficial que mostra a execução, no meio da rua, de oito supostos suspeitos, com os olhos vendados e ajoelhados. As imagens são aparentemente da noite de segunda-feira.
Nas últimas horas, também houve relatos de confrontos armados entre várias unidades de segurança do Hamas e outros grupos armados palestinos, alguns dos quais estariam supostamente apoiados por Israel.
"Nossa mensagem é clara: não haverá lugar para foras da lei ou para aqueles que ameaçam a segurança dos cidadãos", disse uma fonte de segurança palestina à AFP em Gaza.
A polícia armada do governo do Hamas retomou o patrulhamento das ruas no norte do território costeiro.
Israel e os Estados Unidos insistem que o movimento islamista não pode desempenhar nenhum papel em um futuro governo do território. O plano de Trump estipula que os membros do Hamas que concordarem em "entregar suas armas" serão anistiados.
"Se eles não se desarmarem, nós os desarmaremos", disse Trump a repórteres na Casa Branca, um dia após visitar o Oriente Médio para celebrar o cessar-fogo em Gaza. "E será rápido e talvez violento".
P.Staeheli--VB