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Presidente sírio diz a Putin que quer 'redefinir' relações bilaterais
O presidente interino sírio, Ahmed al-Sharaa, declarou nesta quarta-feira (15), na Rússia, que deseja "redefinir" as relações entre os dois países, em seu primeiro encontro com Vladimir Putin desde a queda de Bashar al-Assad, ex-aliado do Kremlin.
Putin recebeu calorosamente al-Sharaa no Kremlin, mas a portas fechadas esperava-se que o líder sírio pressionasse Moscou a extraditar al-Assad, que fugiu para a Rússia após ser deposto.
A Rússia foi um importante aliado de al-Assad durante a sangrenta guerra civil síria que durou 14 anos, fornecendo apoio militar vital que manteve suas forças no poder.
Al-Assad foi deposto em dezembro do ano passado em uma ofensiva liderada pelas forças islamistas de al-Sharaa e fugiu para a Rússia, onde se estabeleceu junto com sua família.
"Queremos restaurar e redefinir de uma nova forma a natureza dessas relações (bilaterais), para que a Síria desfrute de sua independência, sua soberania, sua unidade e sua integridade territorial", disse o mandatário sírio no encontro com Putin.
Al-Sharaa destacou "os interesses comuns" entre ambos os países e o fato de que parte do fornecimento de alimentos da Síria depende da Rússia.
Putin deu as boas-vindas ao mandatário sírio e destacou os "profundos" vínculos entre ambos os países.
"Em todas estas décadas, sempre fomos guiados por uma única coisa: o interesse do povo sírio", afirmou o presidente russo. "Temos de verdade laços muito profundos".
Um funcionário do governo sírio, que pediu anonimato, disse à AFP que al-Sharaa pedirá a Putin que "entregue todos os indivíduos que cometeram crimes de guerra e estão na Rússia, em especial Bashar al-Assad".
A fonte indicou que ambos líderes também discutiriam sobre investimentos, a situação das bases e o rearmamento do novo Exército sírio.
A Rússia conta com dois importantes ativos militares na Síria, a base naval de Tartus e a base aérea de Hmeimim, na costa mediterrânea.
Moscou utilizou amplamente ambas as instalações durante sua intervenção na guerra civil síria, desde 2015.
Al-Sharaa, que em sua juventude foi jihadista no Iraque e na Síria, realiza sua primeira visita à Rússia desde que, em dezembro, derrubou al-Assad à frente de uma coalizão de grupos armados.
A visita tem grande importância simbólica, já que a Rússia, junto com o Irã e o movimento xiita libanês Hezbollah, foi um dos principais apoios militares do regime de al-Assad durante a guerra civil síria iniciada em 2011.
Durante o conflito, aviões russos frequentemente atacaram as áreas sob controle rebelde, incluindo a de Idlib, no noroeste, que nos últimos anos do confronto esteve sob controle do grupo islamista Hayat Tahrir al Sham, liderado por al-Sharaa.
A Rússia chegou a incluir esse grupo em sua lista de organizações "terroristas" em 2020.
C.Stoecklin--VB