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Hamas lança campanha de repressão para recuperar controle de Gaza
O Hamas luta nesta terça-feira (14) para restabelecer seu controle nas áreas de Gaza das quais o Exército de Israel se retirou, enquanto aguarda novas negociações sobre o plano promovido pelos Estados Unidos que busca excluí-lo do governo do território.
O movimento islamista que governa Gaza divulgou imagens em seu canal de televisão que mostram a execução de oito pessoas acusadas de serem "colaboradores" de Israel em plena rua, após a retirada do Exército israelense, depois de dois anos de guerra.
O vídeo, cuja autenticidade, data ou local não puderam ser confirmados de imediato pela AFP, mostra combatentes do Hamas executando na rua oito homens vendados, amarrados e ajoelhados.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo na sexta-feira, jornalistas da AFP observaram a presença de membros das forças de segurança do movimento islamista, encapuzados, em mercados e estradas de várias cidades da Faixa de Gaza.
O acordo de cessar-fogo permitiu a libertação, na segunda-feira, de 20 reféns vivos que estavam em cativeiro em Gaza desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Em troca, foram libertados 1.968 prisioneiros palestinos detidos em Israel.
Além disso, o movimento islamista entregou na segunda-feira os corpos de quatro reféns falecidos.
O Exército israelense informou na noite desta terça-feira que a Cruz Vermelha recebeu os corpos de outros quatro reféns.
Por outro lado, os restos mortais de 45 palestinos entregues por Israel no âmbito do acordo chegaram a Khan Younis, informou nesta terça-feira o hospital Nasser dessa cidade no sul da Faixa de Gaza.
— Explosões e prisões —
Várias testemunhas relataram nesta terça-feira intensos combates no bairro de Shujaiya, na Cidade de Gaza, nos quais, segundo elas, uma unidade afiliada ao Hamas enfrentava clãs e bandos armados, alguns supostamente apoiados por Israel.
"Durante muitas horas nesta manhã houve intensos confrontos entre as forças de segurança do Hamas e membros da família Hilles", disse à AFP Mohamed, um morador que preferiu não revelar seu nome completo.
"Ouvimos tiros intensos e explosões, e as forças de segurança prenderam alguns deles. Nós os apoiamos", afirmou.
Os combates ocorreram perto da chamada "Linha Amarela", atrás da qual as unidades israelenses continuam controlando aproximadamente metade do território.
Uma fonte de segurança palestina em Gaza declarou à AFP que o corpo de segurança do Hamas — uma unidade recentemente criada cujo nome se traduz como "Força de Dissuasão" — estava realizando "operações de campo para garantir a segurança e a estabilidade".
— Tropas israelenses abrem fogo —
Por outro lado, a Defesa Civil de Gaza, organização de resgate que opera sob a autoridade do Hamas, anunciou nesta terça-feira a morte de seis pessoas em dois incidentes envolvendo disparos israelenses.
O Exército israelense afirmou que atirou contra "suspeitos" que se aproximavam de suas forças após cruzarem a "Linha Amarela".
No outro caso, também afirmou ter disparado contra um grupo de civis que considerou uma "ameaça imediata" para as tropas.
O Hamas tem sido a facção palestina dominante em Gaza desde 2007, quando derrotou seu rival Fatah em confrontos armados.
— Trump diz que os EUA desarmarão o Hamas —
O plano para Gaza do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabelece que os membros do Hamas que aceitarem "depôr as armas" serão anistiados.
O documento, apoiado na segunda-feira pelas potências mundiais em uma cúpula presidida por Trump no Egito, também prevê que o Hamas deixe o governo.
Trump advertiu nesta terça-feira a milícia de que, se não entregar as armas, será despojada de seu arsenal da mesma forma.
Para muitos palestinos que nesta terça-feira reconstruíam suas casas e suas vidas entre as ruínas, a presença dos milicianos do Hamas era tranquilizadora.
"Após o desdobramento da polícia, começamos a nos sentir seguros", afirmou Abu Fadi al Banna, de 34 anos, em Deir al Balah, no centro de Gaza.
"Eles começaram a organizar o tráfego e a limpar os mercados (...) nos sentimos protegidos dos bandidos e ladrões", declarou.
Hamdiya Shamiya, de 40 anos, foi obrigada a abandonar sua casa no norte do território palestino por causa dos combates e teve de buscar refúgio em Khan Younis.
"Graças a Deus a guerra finalmente acabou. Podemos respirar um pouco", afirmou.
burs-dc/jd/ser/hgs/pb/mvv/aa/am
J.Sauter--VB