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Quinhentos soldados da Guarda Nacional são mobilizados na cidade americana de Chicago
Quinhentos soldados da Guarda Nacional foram mobilizados nesta quinta-feira (9) em Chicago, enquanto tribunais analisavam contestações ao uso dessa força como parte da campanha do presidente Donald Trump contra o crime e a imigração ilegal nos Estados Unidos.
Uma juíza federal realizou em Chicago uma audiência sobre um pedido do estado de Illinois, liderado pelos democratas, para impedir o uso de soldados na terceira maior cidade dos Estados Unidos.
Um painel de tres juízes de uma corte de apelações, por sua vez, ouviu uma contestação do governo Trump contra a ordem de uma juíza que bloqueou temporariamente o envio de tropas da Guarda Nacional para a cidade de Portland, Oregon, liderada por democratas.
Illinois e Oregon não são os primeiros estados a apresentar desafios legais contra o uso extraordinário da Guarda pelo governo americano. A Califórnia, também governada por democratas, entrou com uma ação depois que Trump enviou tropas para Los Angeles, no começo do ano, para reprimir manifestações motivadas pela ofensiva do governo contra os imigrantes sem documentos. Um juiz do tribunal distrital o declarou ilegal, mas o envio dos soldados foi confirmado posteriormente por uma corte de apelações.
No caso de Chicago, o governo afirma que as tropas são necessárias para proteger os agentes federais durante as operações migratórias nesse reduto democrata, ao qual Trump se refere como uma zona de guerra.
Uma instalação do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Broadview, subúrbio de Chicago, "foi alvo de violência real e ameaças", o que exigiu "assistência do Departamento de Guerra", apontou o governo Trump, referindo-se ao Departamento de Defesa.
O governador democrata de Illinois, J.B. Pritzker, e outros funcionários locais eleitos que se opõem à mobilização tentam questionar a avaliação do presidente, segundo o escrito.
Um jornalista da AFP que visitou hoje a instalação de Broadview observou membros da Guarda Nacional e funcionários do ICE rondando o outro lado da cerca. Quinze manifestantes chamaram os agentes de "traficantes de pessoas" e "nazistas".
O destacamento em Chicago inclui 200 soldados da Guarda Nacional procedentes do Texas e 300 de Illinois, segundo o Comando Norte do Exército americano. Eles foram mobilizados por um período inicial de 60 dias.
- Lei da Insurreição -
Trump disse nesta semana que poderia invocar a Lei da Insurreição, que permite ao presidente mobilizar o Exército nos Estados Unidos para reprimir rebeliões. Em reunião de gabinete, ele reiterou hoje sua afirmação de que a criminalidade está fora de controle em Chicago e Portland.
"Lançamos uma campanha histórica para resgatar nossa nação das gangues e dos criminosos de rua, reincidentes violentos, infratores ilegais da lei migratória, extremistas e cartéis selvagens e sanguinários", declarou o presidente, acusado por críticos de mostrar uma tendência autoritária enquanto tenta cumprir sua promessa de campanha de deportar milhões de imigrantes sem documentos.
Autoridades locais argumentam que as forças municipais e estaduais são suficientes para lidar com os protestos contra os agentes do ICE e a violência urbana.
Considerado um possível candidato democrata para as eleições presidenciais de 2028, Pritzker chamou Trump de "desequilibrado". "É um ditador frustrado, e tem algo que realmente quero dizer a Donald Trump: se você vier atrás do meu povo, terá que passar por mim. Então venha me pegar", disse ontem.
O.Schlaepfer--VB