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ONU e UE condenam 'ataques' contra flotilha com ajuda para Gaza
A ONU e a União Europeia (UE) condenaram, nesta quarta-feira (24), os “ataques” na costa grega contra a flotilha que segue com ajuda humanitária para Gaza, enquanto a Itália enviou uma fragata para a área.
Os “ataques” contra a flotilha “devem cessar e os responsáveis por essas violações devem ser responsabilizados”, declarou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, exigindo uma investigação “independente” sobre o ocorrido.
“Israel está tentando assustar e silenciar as pessoas que se mobilizam pela Palestina”, acusou a ambientalista sueca Greta Thunberg, a bordo da flotilha, em uma coletiva de imprensa difundida no Instagram.
Essa flotilha busca chegar à Faixa de Gaza, devastada após quase dois anos de guerra entre Israel e o movimento islamista Hamas, para entregar ajuda humanitária e “romper o bloqueio israelense”, após duas tentativas anteriores repelidas por Israel em junho e julho.
Os ativistas pró-Palestina da flotilha afirmaram, nesta quarta-feira, terem sido atacados perto da costa da Grécia por “múltiplos drones” que causaram explosões em alguns de seus barcos.
O grupo já havia denunciado outros ataques com drones no dia 9 de setembro, perto da Tunísia.
Em um comunicado, a flotilha Global Sumud (“sumud” significa “resiliência” em árabe), afirmou que foi atacada com “dispositivos explosivos e incendiários” e “substâncias químicas”. Além disso, disse que seus dispositivos de comunicação de emergência foram neutralizados.
Uma porta-voz da Comissão Europeia classificou como “inaceitável” qualquer ataque contra a flotilha. “A liberdade de navegação deve ser respeitada de acordo com o direito internacional”, defendeu.
- Itália envia fragata -
Por sua vez, a Itália mobilizou para a área uma fragata para “garantir assistência aos cidadãos italianos na flotilha’ e realizar operações de resgate, se necessário.
Cerca de 60 italianos, incluindo quatro deputados, viajam na flotilha composta por 51 embarcações. A bordo também estão várias centenas de ativistas de 45 países.
“Falei com a primeira-ministra [Giorgia Meloni] e autorizei a intervenção imediata da fragata multifuncional 'Fasan' da Marinha italiana, que navegava ao norte de Creta como parte da Operação Safe Sea”, disse o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto.
Crosetto expressou sua “mais firme condenação” contra “este ataque realizado por drones de origem desconhecida até o momento”.
A chancelaria italiana solicitou a Israel que garantisse a segurança da flotilha, lembrando que ela estava “em águas internacionais”.
- 13 ataques -
Segundo a ativista alemã de direitos humanos Yasemin Acar, cinco barcos foram atacados durante a noite e foram contabilizados “entre 15 e 16 drones”.
O deputado polonês Franek Sterczewski, por sua vez, declarou no X que ocorreram “13 ataques” contra um total de 10 barcos e que três deles haviam ficado “danificados”.
A guarda costeira grega informou à AFP que uma lancha de patrulha da agência de fronteira da UE, Frontex, havia se aproximado de uma embarcação e não encontrou sinais de danos.
A flotilha partiu há várias semanas de Barcelona com o objetivo de entregar assistência ao território palestino devastado.
Além de Thunberg, outras personalidades viajam a bordo, como a atriz francesa Adèle Haenel e o ativista brasileiro Thiago Ávila.
A Global Sumud tem como objetivo “abrir um corredor humanitário e pôr fim ao genocídio em curso do povo palestino” no contexto da guerra entre Israel e Hamas, segundo seus organizadores.
Israel anunciou na segunda-feira que não permitiria sua chegada.
A guerra na Faixa de Gaza começou após o ataque do movimento islamista palestino Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023.
Em agosto, a ONU declarou estado de fome no território palestino, que permanece sob um rígido bloqueio imposto por Israel há quase dois anos.
De acordo com o Ministério da Saúde do governo do Hamas em Gaza, a guerra já tirou a vida de mais de 65 mil palestinos, em sua maioria civis.
G.Haefliger--VB