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EUA anuncia linha de financiamento rápido de US$ 20 bi para socorrer a Argentina
O Tesouro americano anunciou, nesta quarta-feira (24), que está concluindo uma linha de financiamento temporária (swap line) com o Banco Central argentino de US$ 20 bilhões (R$ 106 bilhões), e que está disposto a comprar a dívida do país sul-americano, submetido a pressões financeiras.
"O Tesouro está atualmente em negociações com funcionários argentinos para estabelecer uma linha de swap de 20 bilhões de dólares com o Banco Central. Estamos trabalhando em estreita coordenação com o governo argentino para evitar uma volatilidade excessiva", informou a instituição na rede X.
"Além disso, os Estados Unidos estão preparados para adquirir dívida pública no mercado primário ou secundário, e estamos trabalhando com o governo argentino para pôr fim à isenção fiscal dos produtores de matérias-primas que convertem divisas", acrescentou em um comunicado.
O presidente argentino, Javier Milei, agradeceu no X o salva-vidas financeiro, que teoricamente lhe permitirá ganhar tempo e estabilizar o mercado antes das eleições legislativas nacionais de 26 de outubro.
"Valorizamos profundamente a amizade com os Estados Unidos e seu compromisso de fortalecer nossa associação", disse.
A reação inicial dos mercados foi positiva e o peso argentino era negociado em alta de 2,5% nas primeiras transações.
Na abertura do mercado de Buenos Aires, o dólar estava cotado a 1.350 pesos a unidade, 2,60% abaixo da cotação de terça-feira.
- Disposto a comprar títulos -
Uma "swap line" é formalmente uma transação de moedas entre dois bancos centrais, mas no caso dos Estados Unidos e da Argentina, país submetido a uma grande pressão nos mercados, é uma linha de financiamento em dólares provisório e de acesso rápido que os Estados Unidos lhe concedem para evitar que o peso sofra muitas oscilações.
A dívida primária é aquela emitida pelo governo para arrecadar dinheiro imediatamente, mediante títulos ou letras, enquanto a dívida secundária é aquela já emitida e que é negociada por investidores, públicos ou privados.
"O Tesouro dos Estados Unidos está disposto a comprar títulos em dólares da Argentina e o fará, segundo as condições exigirem. Também estamos preparados para conceder um crédito importante (...) através do Fundo de Estabilização Cambiária, e temos tido conversas ativas com a equipe do presidente Milei para fazê-lo", acrescentou o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.
A Argentina vive uma situação econômica delicada devido aos reveses eleitorais e políticos do governo no Congresso, que colocaram o ultraliberal Javier Milei nas cordas.
Milei se reuniu na terça-feira com o presidente americano, Donald Trump, à margem da Assembleia Geral da ONU, e o republicano lhe deu seu apoio político.
"O governo Trump se mantém firme no apoio aos aliados dos Estados Unidos, e o presidente Trump deu ao presidente Milei um apoio pouco comum a um dirigente estrangeiro para demonstrar sua confiança nos planos econômicos de seu governo", afirmou Bessent.
A Argentina já tinha anunciado uma isenção dos impostos à exportação de grãos e carnes bovina e de frango para gerar maior oferta de dólares.
Com esta medida, anunciada na segunda-feira, o governo Milei aposta em que agricultores e pecuaristas sejam estimulados a vender dólares antes das eleições legislativas nacionais de 26 de outubro.
Para isso, a redução de impostos vai vigorar até 31 de outubro, segundo o decreto publicado na segunda-feira.
Em abril, a Argentina assinou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 20 milhões (R$ 113 bilhões, na cotação da época). É o maior devedor do organismo internacional, que em 2018 já tinha outorgado ao país sul-americano US$ 56 bilhões (aproximadamente R$ 216 bilhões, em valores da época).
R.Fischer--VB