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Trump acredita em cessar-fogo em Gaza, possivelmente na 'próxima semana'
O presidente dos Estados, Donald Trump, mostrou-se otimista nesta sexta-feira (27) sobre uma nova trégua em Gaza, enquanto crescem as críticas pelo aumento das mortes de civis em centros de distribuição de alimentos apoiados por Israel nesse território devastado pela guerra.
Gaza está devastada por mais de 20 meses de guerra entre Israel e Hamas, desencadeada pelo ataque desse movimento islamista palestino em território israelense em 7 de outubro de 2023.
"Acreditamos que até a próxima semana, vamos conseguir um cessar-fogo", disse Trump ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de um acordo entre ambas as partes.
Durante os últimos dias do governo de Joe Biden, Washington obteve um cessar-fogo com apoio da equipe de transição de Trump.
Mas Israel rompeu a trégua em março, com uma nova ofensiva devastadora em Gaza e um bloqueio humanitário durante mais de dois meses, que provocou grave escassez de alimentos e remédios.
O bloqueio foi levantado parcialmente no fim de maio, quando o fornecimento de alimentos foi retomado através da Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), apoiada por Estados Unidos e Israel, e na qual participam empresas de segurança americanas terceirizadas com tropas israelenses na periferia.
- Sistema "militarizado" -
O secretário-geral da ONU, António Guterres, denunciou nesta sexta que existe um sistema "militarizado" de distribuição de ajuda humanitária que "mata as pessoas" na Faixa de Gaza.
Nesta sexta-feira, pelo menos 80 pessoas morreram em pontos distintos do território palestino por bombardeios ou disparos israelenses, anunciou a Defesa Civil local. Dez delas foram mortas enquanto esperavam para receber ajuda humanitária.
A quinta-feira já havia sido um dia especialmente letal, com 65 palestinos mortos por disparos israelenses, segundo os serviços de resgate. Sete deles haviam comparecido a um centro da GHF.
"As pessoas morrem simplesmente por tentarem alimentar a si mesmas e a suas famílias. Recolher alimentos nunca deveria ser uma sentença de morte", disse o secretário-geral da ONU em Nova York.
Israel respondeu acusando-o de alinhamento com o Hamas.
A GHF "forneceu diretamente mais de 46 milhões de refeições aos civis palestinos, não ao Hamas" desde o fim de maio, respondeu o Ministério das Relações Exteriores israelense na rede X.
"No entanto, a ONU faz o que pode para se opor a esse esforço. Ao fazê-lo, a ONU se alinha ao Hamas", sustentou.
Trump, por sua vez, defendeu a ação de Washington através da GHF.
"Estamos proporcionando, como sabem, muito dinheiro e alimentos a essa região", disse o dirigente. "Estas multidões de pessoas que não têm nada para comer", frisou.
- 'Massacres em série' -
A ONG Médicos Sem Fronteiras também acusou a GHF de ser um dispositivo de "simulacro de distribuição alimentar que produz massacres em série".
Desde que a fundação humanitária iniciou suas operações, ocorreram cenas de caos, com numerosas perdas humanas.
Netanyahu defendeu a atuação do Exército e rejeitou "categoricamente" um artigo do jornal israelense de esquerda Haaretz, segundo o qual soldados israelenses teriam recebido ordens de atirar contra civis desarmados que esperavam para receber ajuda humanitária em Gaza.
"São mentiras mal-intencionadas desenhadas para manchar as Forças de Defesa de Israel, o exército mais moral do mundo", denunciou Netanyahu nesta sexta em comunicado.
Das 80 pessoas mortas hoje, dez "esperavam ajuda humanitária" em três lugares distintos do território palestino, explicou um porta-voz da Defensa Civil de Gaza, Mahmoud Bassal.
Procurado pela AFP, o Exército israelense disse que estava verificando as declarações do porta-voz, mas negou categoricamente que seus soldados tivessem atirado contra pessoas que esperavam ajuda no centro da Faixa de Gaza, onde, segundo Bassal, houve uma morte.
Outras seis pessoas morreram no sul, quando tentavam chegar a um centro de distribuição de comida da GHF, e mais três, que esperavam por ajuda humanitária a sudoeste da Cidade de Gaza, no norte da Faixa, segundo a Defesa Civil.
- 550 mortos desde o fim de maio -
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, um território governado pelo Hamas, quase 550 pessoas morreram e mais de 4.000 ficaram feridas nas enormes filas que se formam perto dos centros de distribuição desde que a GHF começou a funcionar no fim de maio.
A GHF afirma que suas operações se desenvolvem sem contratempos e nega que tenham ocorrido tiroteios fatais nas imediações de seus pontos de ajuda.
Paralelamente, o Exército israelense continua com suas operações militares e bombardeios em Gaza, no âmbito de uma ofensiva contra o Hamas em represália por seu ataque de 7 de outubro de 2023.
Esse ataque causou a morte 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Além disso, os milicianos islamistas sequestraram 251 pessoas, das quais 49 seguem retidas em Gaza, incluídos 27 reféns que, segundo o Exército israelense, morreram em cativeiro.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva implacável em Gaza, onde já morreram 56.331 pessoas, também civis em sua maioria, segundo o Ministério da Saúde do território governo pelo Hamas, cujos números a ONU considera confiáveis.
F.Wagner--VB