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Gaza registra mais de 60 mortos por Exército israelense; Espanha denuncia 'genocídio'
A Faixa de Gaza voltou a viver um dia letal nesta quinta-feira (26), com 63 mortos nas mãos do Exército israelense, segundo socorristas palestinos, enquanto o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, criticou o que chamou de uma "situação catastrófica de genocídio".
Após mais de 20 meses de conflito, os mais de dois milhões de habitantes do estreito território palestino enfrentam condições próximas à inanição, denunciam grupos de defesa dos direitos humanos.
A Defesa Civil de Gaza reportou a morte de 63 pessoas nas mãos das forças israelenses nesta quinta-feira. Entre os falecidos, seis morreram enquanto aguardavam para receber alimentos.
O porta-voz desta organização de primeiros socorros, Mahmoud Bassal, revisou para cima o número inicial de 35 mortos, reportando 17 novas vítimas após um ataque israelense contra civis reunidos na cidade de Deir al Balah, no centro de Gaza.
A Defesa Civil acrescentou que sete palestinos, inclusive uma criança, morreram em ataques israelenses contra veículos perto de Khan Yunis, ao sul, e contra civis no campo de refugiados de Nuseirat, no centro do território.
Contactado pela AFP, o Exército israelense disse estar investigando relatos de feridos perto do corredor de Netzarim (centro), onde pessoas estavam concentradas.
Segundo a fonte, seus soldados tentaram impedir a aproximação de suspeitos e deram tiros de advertência.
- 'Genocídio' -
Israel intensificou recentemente sua campanha de bombardeios em Gaza, em uma ofensiva na qual afirma tentar "aniquilar" o movimento islamista palestino Hamas, cujo ataque sem precedentes contra o sul de Israel em outubro de 2023 foi o estopim para a guerra.
Após dois meses de bloqueio, Israel começou a permitir a entrada limitada de ajuda ao território no final de maio, mas a distribuição tem sido marcada por cenas caóticas e notícias quase diárias de forças israelenses atirando em pessoas que esperavam para receber comida.
De Bruxelas, onde está para participar de uma cúpula europeia, o líder socialista espanhol — pungente em suas críticas a Israel pela ofensiva em Gaza — instou a União Europeia a suspender imediatamente o acordo de associação do bloco com Israel.
Para isso, invocou um relatório recente — não divulgado — do representante especial da UE para os Direitos Humanos "sobre a situação catastrófica de genocídio que se está vivendo em Gaza", apresentado aos ministros das Relações Exteriores do bloco.
O texto cita, entre outros, o bloqueio israelense à ajuda humanitária, o elevado número de vítimas civis, os ataques contra jornalistas e os deslocamentos e destruição maciços causados pela guerra.
O conflito em Gaza teve início em 7 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas no sul de Israel, que resultou na morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais israelenses.
Naquele dia, milicianos islamistas sequestraram 251 pessoas, 49 das quais permanecem retidas em Gaza, inclusive 27 reféns que teriam morrido em cativeiro, segundo o Exército israelense.
Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva implacável em Gaza, onde já morreram pelo menos 56.259 pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas. A ONU considera esses dados confiáveis.
- EUA enviará US$ 30 milhões a fundação controversa -
Além dos bombardeios, o Ministério da Saúde de Gaza denuncia que, desde o fim de maio, cerca de 550 pessoas morreram perto dos centros de assistência.
Desde então, a distribuição da ajuda está a cargo da Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma organização pouco transparente apoiada por Israel e Estados Unidos.
Washington anunciou, nesta quinta-feira, que aprovou seu primeiro financiamento direto para essa organização, de aproximadamente US$ 30 milhões (cerca de R$ 165 milhões) e instou outros países a seguirem seu exemplo.
As agências da ONU e as principais ONGs que trabalham em Gaza se negam a colaborar com essa fundação que, segundo elas, militariza a ajuda.
As operações da organização têm sido marcadas por cenas caóticas, mortes e problemas de neutralidade. A GHF nega que tenham ocorrido incidentes fatais nas proximidades de seus pontos de distribuição.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, anunciou ter realizado na quarta-feira sua primeira entrega de suprimentos médicos em Gaza desde 2 de março, data em que Israel impôs seu bloqueio ao território palestino.
As restrições impostas por Israel à mídia em Gaza e as dificuldades de acesso a algumas regiões impedem a AFP de verificar de forma independente as cifras dos socorristas e das autoridades do território palestino.
A.Ammann--VB