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Holofotes apontados para os cardeais antes do conclave
Os cardeais eram bombardeados com perguntas sobre o perfil do futuro papa nesta terça-feira (29) na entrada do Vaticano, onde avança a preparação para o conclave que, em oito dias, começará a definir o sucessor do papa Francisco.
Quase 200 "príncipes da Igreja" Católica se reúnem todos os dias a portas fechadas na sala Paulo VI do Vaticano para as "congregações gerais", reuniões em que debatem as prioridades para o futuro da instituição de 2.000 anos.
Na segunda-feira, por exemplo, eles abordaram "temas de particular relevância para o futuro da Igreja" como "a questão dos abusos" sexuais na Igreja, um dos desafios mais dolorosos de Francisco.
"Eminência, eminência!", gritam jornalistas diante da passagem de qualquer cardeal, reconhecíveis pela faixa e solidéu vermelhos.
Eles são cercados por uma multidão com câmeras, smartphones e microfones, sob o olhar curioso dos turistas que visitam o Vaticano.
A maioria evita falar com a imprensa. Passam sem desviar o olhar do chão ou sorrindo em silêncio.
"Há um ambiente fraternal e sincero", disse o cardeal iraquiano Louis Raphaël I Sako, patriarca da Igreja caldeia, "um espírito de responsabilidade para buscar alguém que continue o trabalho de Francisco".
O estilo e as reformas impulsionadas pelo jesuíta argentino despertaram, no entanto, críticas entre os setores mais conservadores, que agora apostam por uma mudança concentrada na doutrina.
- "Dois ou três dias" -
Os cardeais da Igreja Católica decidiram na segunda-feira que começarão em 7 de maio as votações para a eleição do sucessor de Francisco, que faleceu em 21 de abril, aos 88 anos, e teve um funeral na presença de 400.000 pessoas no sábado passado.
Os 135 cardeais com menos de 80 anos e direito a voto permanecerão trancados a partir da data na Capela Sistina para eleger o novo líder espiritual de 1,4 bilhão de fiéis, e não poderão sair até que a fumaça branca preceda o aguardado anúncio "Habemus papam".
O processo provoca fascínio há séculos e aumentou nos últimos meses com a estreia do filme premiado "Conclave".
A eleição que levou Francisco em 2013 à Catedra de Pedro demorou dois dias, a mesma duração da votação de seu antecessor, Bento XVI, oito anos antes.
Sako também espera um conclave "curto" desta vez. "Dois ou três dias", disse.
O italiano Pietro Parolin aparece como um dos favoritos à medida que crescem conflitos e crises diplomáticas pelo mundo. O cardeal atuou como secretário de Estado com Francisco, depois de exercer o posto de núncio na Venezuela.
"Representa um voto para continuar a essência do papado de Francisco, mas sem o instinto rebelde de Francisco", declarou John Allen, editor do jornal católico online Crux, a respeito de Parolin.
"Seria visto como uma figura mais convencional e previsível".
A casa de apostas britânica William Hill o coloca à frente do filipino Luis Antonio Tagle, seguido pelo cardeal ganês Peter Turkson e pelo também italiano Matteo Zuppi.
- "Decidi obedecer" -
Os cardeais não terão acesso aos seus smartphones, à internet, nem à imprensa durante o conclave.
Um total de 80% dos 135 eleitores foram designados por Francisco, muitos procedem de regiões do mundo historicamente marginalizadas pela Igreja e muitos não se conhecem.
Um cardeal que finalmente desistiu de participar foi o italiano Angelo Becciu, de 76 anos, condenado por desvio de fundos e despojado de seus privilégios pelo papa Francisco após uma operação imobiliária opaca em Londres.
Ele insistia que era seu dever participar do conclave porque ainda tinha o título de cardeal e participava das reuniões preparatórias, mas Parolin apresentou dois documentos do papa Francisco que confirmavam sua exclusão.
E o italiano cedeu. "Tendo no coração o bem da Igreja, à qual servi e continuarei servindo com fidelidade e amor, assim como para contribuir com a comunhão e a serenidade do conclave, decidi obedecer como sempre fiz", afirmou o cardeal em um comunicado enviado à AFP por seu advogado.
J.Sauter--VB