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Israel lança novos bombardeios na Síria, apesar de advertências da ONU
Israel lançou novos bombardeios contra alvos militares perto de Damasco nesta quinta-feira (3), reportou uma ONG horas depois de a ONU acusar o país de querer "desestabilizar" a Síria, após uma série de ataques deixarem 13 mortos na véspera.
Depois dos intensos bombardeios contra alvos militares no centro da Síria e na região de Damasco na noite de quarta-feira, as tropas israelenses lançaram uma incursão no sul, onde morreram nove pessoas que tentavam se opor ao seu avanço.
O enviado especial da ONU, Geir Pedersen, pediu a Israel para "cessar estes ataques", que "minam os esforços para construir uma nova Síria em paz consigo mesma e com a região, e desestabilizam a Síria em um momento delicado".
O Exército israelense intensificou suas operações no país vizinho desde que uma coalizão rebelde liderada por um grupo islamista tomou o poder de Bashar al Assad em 8 de dezembro, após mais de 13 anos de guerra civil.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede no Reino Unido, com uma vasta rede de informantes no terreno, reportou, nesta quinta, que Israel lançou novos bombardeios contra posições militares perto de Damasco.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, advertiu o dirigente sírio, Ahmed al Sharaa, que ele pagará um "preço alto" se a segurança de Israel for ameaçada.
O Ministério das Relações Exteriores da Síria denunciou uma "escalada injustificável [que] constitui uma tentativa premeditada de desestabilizar" o país.
Na quarta-feira, forças israelenses realizaram bombardeios contra um centro de pesquisa militar em Damasco, a base militar T4 na província de Homs e um aeroporto militar em Hama.
O Ministério das Relações Exteriores sírio afirmou que, nessa última ação, o aeroporto ficou "praticamente destruído por completo" e mencionou "dezenas de feridos civis e militares".
- Convocação para pegar em armas -
Segundo o OSDH, quatro militares morreram e 12 ficaram feridos nos bombardeios contra o aeroporto de Hama.
Um prédio pertencente ao centro de pesquisa científica em Barzeh, nos arredores de Damasco, também foi atacado e destruído, segundo um correspondente da AFP.
O Exército israelense afirmou que "atingiu as capacidades militares nas bases sírias de Hama e T4, na província de Homs, assim como outras infraestruturas militares na região de Damasco".
Em Daraa, uma multidão revoltada participou nesta quinta do funeral de nove pessoas mortas na incursão israelense.
"Esta é uma zona agrícola [...], onde ninguém ameaça as forças israelenses. Queremos viver em paz, mas não aceitamos que nos ataquem", disse Khaled al Awdat, de 48 anos, que compareceu ao funeral.
As autoridades provinciais anunciaram as mortes após um bombardeio israelense que se seguiu a uma "incursão" na região, "onde as forças de ocupação adentraram profundamente pela primeira vez".
Segundo o OSDH, os mortos eram moradores da região, que pegaram em armas após uma convocação feita nas mesquitas para enfrentar as tropas israelenses.
O Exército de Israel informou que suas tropas responderam a tiros durante uma operação no sul da Síria e "eliminaram" vários combatentes em ataques aéreos e terrestres.
Após a queda de Assad, Israel enviou tropas para uma zona desmilitarizada nas Colinas de Golã, no sudoeste do país vizinho.
Também lançou centenas de bombardeios contra posições do Exército e dos rebeldes islamitas, que em seguida tomaram o poder, para evitar — segundo argumenta — que as armas caiam nas mãos das novas autoridades, as quais qualifica de "jihadistas".
A Jordânia criticou os ataques israelenses, os quais qualificou de "violação flagrante do direito internacional". A Arábia Saudita e o Catar também condenaram os bombardeios.
I.Stoeckli--VB