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Oposição do Sudão do Sul põe fim ao acordo de paz após prisão de vice-presidente
A oposição do Sudão do Sul denunciou, nesta quinta-feira (27), a prisão do primeiro vice-presidente Riek Machar por parte das forças leais ao seu rival, o presidente Salva Kiir, e revogou o acordo de paz de 2018, deixando o país africano à beira de um conflito, segundo a ONU.
Uma caravana de 20 veículos fortemente armados, liderados pelo ministro da Defesa e pelo chefe da Segurança Nacional, invadiram na noite de quarta-feira a residência de Machar na capital, Jubá, para prendê-lo, segundo um comunicado emitido por seu partido, em uma escalada de violência desencadeada nas últimas semanas no país mais jovem do mundo.
O Sudão do Sul está imerso em uma instabilidade crônica após a sangrenta guerra civil entre as forças de Kiir e Machar entre 2013 e 2018.
Ao final desse conflito, que deixou 400.000 mortos e quatro milhões de deslocados, os dois lados alcançaram em 2018 um frágil acordo para compartilhar o poder.
"Com a prisão e encarceramento do Dr. Riek Machar Teny, o R-ARCSS 2020 foi revogado", declarou Oyet Nathaniel, vice-presidente do partido de Machar, utilizando o nome técnico do acordo de paz.
A Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) alertou que a prisão de Machar deixa o país à beira do precipício.
"Os dirigentes do país estão a ponto de recair em um conflito generalizado", disse o chefe da UNMISS, Nicholas Haysom.
Se o acordo de paz não for respeitado, ocorrerá "um retorno catastrófico" à guerra, acrescentou a comissão da ONU responsável por documentar as violações de direitos humanos no país.
A União Africana também expressou sua "profunda preocupação" com a prisão de Machar e fez um apelo ao "diálogo construtivo".
O Sudão do Sul, que declarou sua independência em 2011, continua em um cenário de pobreza e na insegurança desde o acordo de paz.
Os analistas apontam que Kiir, de 73 anos, busca assegurar sua sucessão e marginalizou Machar politicamente em várias mudanças de gabinete.
Mais de 20 aliados políticos e militares de Machar no governo de unidade e no Exército foram presos desde fevereiro.
S.Leonhard--VB