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Trump impõe tarifas de 25% sobre carros fabricados fora dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou nesta quarta-feira (26) sua lista tarifária com a imposição de tarifas alfandegárias de 25% sobre "todos os automóveis que não são fabricados nos Estados Unidos".
"Entra em vigor em 2 de abril; começamos a cobrar em 3 de abril", afirmou o magnata republicano no Salão Oval da Casa Branca.
"Vamos cobrar dos países por fazer negócios em nosso país e levar nossos empregos, levar nossa riqueza. (...) O que vamos implementar é uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis que não forem fabricados nos Estados Unidos. Se forem fabricados nos Estados Unidos, não haverá tarifa alguma", declarou.
"Isso se soma às tarifas já existentes sobre essas mercadorias", esclareceu um de seus assessores.
A taxa aplicada anteriormente era de 2,5%. Isso significa que os carros importados passarão a ser tributados em 27,5% de seu valor.
No caso dos carros elétricos chineses, que já são taxados em 100% desde agosto de 2024, as tarifas subirão para 125%.
Essa medida representa um novo golpe para o setor automotivo e para países como Canadá e México, parceiros dos EUA no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC).
O México exporta 80% dos veículos que fabrica para os Estados Unidos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia.
Os fabricantes de automóveis americanos possuem fábricas no exterior que abastecem o mercado interno, principalmente no Canadá e no México.
Segundo o site da Ford, cerca de 20% dos veículos vendidos nos Estados Unidos são importados, e várias peças dos veículos montados no país também vêm do Canadá ou do México.
A General Motors importa aproximadamente 750 mil veículos por ano do Canadá e do México, tornando-se a maior importadora entre os fabricantes de automóveis.
- Reações imediatas -
As reações não demoraram.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, classificou a medida como um "ataque direto".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lamentou "profundamente" a decisão de Trump, mas deixou a porta aberta para soluções negociadas.
Não é o primeiro revés para o setor automotivo desde que Donald Trump voltou à Casa Branca em 20 de janeiro.
No início de fevereiro, o anúncio de tarifas alfandegárias de 25% sobre produtos canadenses e mexicanos abalou o setor automotivo, pois a cadeia de produção dos principais fabricantes americanos está amplamente distribuída entre os três países da América do Norte.
O magnata republicano acusa ambos os países de não fazerem o suficiente para conter a migração ilegal e o tráfico de fentanil para os Estados Unidos pelas fronteiras.
O adiamento da medida até 2 de abril trouxe um alívio temporário para a indústria, mas foi breve. Em meados de março, Trump impôs tarifas sobre aço e alumínio.
Os Estados Unidos importam aproximadamente metade do aço e do alumínio que utilizam em indústrias tão diversas como a automobilística, aeroespacial, petroquímica e até em produtos de consumo básico, como embalagens de alimentos enlatados.
- "Muito indulgentes" -
Embora não tenha imposto tarifas sobre automóveis durante seu primeiro mandato, Trump ordenou que o representante comercial dos EUA (USTR) iniciasse uma investigação sobre o tema, concluída em 2019.
Ryan Majerus, ex-funcionário comercial dos EUA, acredita que o presidente poderia se basear nesse estudo para justificar as novas tarifas sobre automóveis importados.
"A vantagem da indústria automotiva é que eles podem avançar muito mais rápido se quiserem, em comparação com outros setores como madeira ou cobre, onde as investigações ainda estão no início", explicou Majerus à AFP.
A Casa Branca quer impor tarifas sobre madeira e cobre, mas pode ter que esperar até o final do ano ou até que o USTR conclua sua análise.
Salvo surpresas, a próxima etapa da política tarifária de Trump, considerada a mais significativa, acontecerá em 2 de abril, data que o presidente chama de "dia da libertação".
Nesse dia, ele pretende aplicar as chamadas tarifas alfandegárias "recíprocas", que afetarão todos os produtos importados para os Estados Unidos. O objetivo é igualar, dólar por dólar, as tarifas impostas a bens americanos no exterior.
Embora inicialmente tenha afirmado que não haveria "isenções nem exceções", Trump garantiu nesta quarta-feira que esses novos impostos seriam "muito indulgentes".
"Isso afetará todos os países, e vamos garantir que sejam muito indulgentes. Acho que as pessoas vão se surpreender bastante", acrescentou.
dk-aue-erl-els/erl/val/mr/rpr/ic/am
M.Vogt--VB