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Rússia confirma que Trump e Putin conversarão por telefone na terça-feira
A Rússia confirmou, nesta segunda-feira (17), que Vladimir Putin e Donald Trump conversarão por telefone na terça-feira, pela segunda vez oficialmente desde o retorno, em janeiro, do presidente americano à Casa Branca, que busca que seu homólogo russo aceite uma trégua temporária na Ucrânia.
A primeira conversa entre os dois líderes, em 12 de fevereiro, derrubou as tentativas ocidentais de isolar Putin, que iniciou uma ofensiva contra a Ucrânia há três anos, e pavimentou o caminho para o restabelecimento das relações entre Moscou e Washington.
"A conversa está efetivamente sendo preparada para terça-feira", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em sua entrevista coletiva diária.
Trump anunciou algumas horas antes que conversará com Putin na terça-feira. "Já discutimos muito com as duas partes, Ucrânia e Rússia", após reuniões separadas entre autoridades americanas, russas e ucranianas na Arábia Saudita e em Moscou, declarou à imprensa no Air Force One.
O presidente americano mencionou a "divisão de certos ativos", incluindo "terras" e "centrais energéticas".
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, viajou a Moscou na semana passada para apresentar os detalhes de um plano de trégua de 30 dias no conflito entre Rússia e Ucrânia, que já foi aceito por Kiev.
Putin disse que concorda com a ideia de um cessar-fogo, mas ressaltou que havia "questões importantes" que desejava abordar com Trump sobre como seria implementado.
- "Pressão coletiva" -
A Rússia impôs como condição para o fim das hostilidades que a Ucrânia reconheça o controle russo dos territórios ocupados e desista de aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Também já exigiu o fim do atual governo ucraniano.
As condições são rejeitadas por Kiev, que não deseja ceder nenhum território e exige garantias de segurança de seus aliados ocidentais, assim como o envio de uma força de manutenção de paz que garanta a eventual trégua.
Em uma reunião de cúpula virtual organizada por Londres no sábado, quase 30 governantes e representantes de organizações que apoiam a Ucrânia decidiram exercer uma "pressão coletiva" sobre a Rússia, que acusam de prolongar as negociações para ganhar vantagem na frente de batalha.
No campo de batalha, a situação continua difícil para as forças ucranianas, em particular na região russa de Kursk, onde as tropas ucranianas efetuaram uma ofensiva no ano passado.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou nesta segunda-feira que prossegue com a "operação de destruição" do exército ucraniano, que perde território em Kursk.
No atual contexto, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, destituiu no domingo o comandante do Estado-Maior, Anatoliy Bargylevych.
- Ataques de drones -
Dezenas de civis que fugiram dos combates em Kursk encontraram refúgio em um complexo esportivo transformado em centro de acolhimento em Fatezh, a quase 50 quilômetros da capital regional.
Ekaterina Panova, de 35 anos, teve que abandonar Sudzha, a principal cidade da região que caiu sob controle ucraniano e foi retomada pelas tropas russas na semana passada. Ela espera que Trump consiga atuar como mediador entre Kiev e Moscou.
"Queremos que os Estados Unidos influenciem, de uma forma ou de outra, as relações entre Rússia e Ucrânia", disse. Ela chamou de "matança fratricida" o atual conflito, iniciado em fevereiro de 2022 com a entrada de tropas russas na vizinha Ucrânia.
Os dois países voltaram a lançar drones contra o outro lado durante a noite.
Na Rússia, um ataque ucraniano provocou um incêndio em uma refinaria de petróleo e feriu uma pessoa na região de Astrakhan (sul), segundo as autoridades locais.
A Ucrânia foi alvo de um ataque com 174 drones russos - 90 foram derrubados e 70 desapareceram dos radares "sem consequências" -, segundo a Força Aérea ucraniana.
L.Maurer--VB