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Caravana de migrantes hondurenhos parte para os EUA apesar das ameaças de Trump
Cerca de 200 hondurenhos partiram, nesta terça-feira (7), em uma caravana com destino aos Estados Unidos, da cidade de San Pedro Sula (noroeste), apesar das ameaças de Donald Trump de realizar a maior deportação de migrantes quando assumir a presidência em duas semanas.
Com mochilas e alguns alimentos, encontraram-se durante a noite em um terminal de transportes de San Pedro Sula, a segunda maior cidade hondurenha situada 180 quilômetros ao norte de Tegucigalpa. Alguns, acompanhados por crianças, iniciaram a caminhada de cerca de 120 quilômetros em direção à fronteira com a Guatemala.
"A intenção é sair do país e, primeiro Deus, chegarmos" aos Estados Unidos, disse à AFP Letícia Alvarado, que chegou ao terminal vinda de um vilarejo no porto caribenho de Tela.
Alvarado acrescentou que já tentou migrar porque "aqui não há oportunidades de emprego". "Quem vive com as cem lempiras (quatro dólares ou 24 reais por dia) que pagam nessas cozinhas populares?", onde trabalha como cozinheira, citou como exemplo.
"Hoje, com um grupo (caravana) de pessoas e pela companhia (…), não me vou sentir sozinha" na viagem, acrescentou.
Os migrantes queixam-se da falta de oportunidades de emprego e da violência que afeta os hondurenhos há décadas devido às gangues e ao tráfico de drogas.
Jesús Alberto Villanueva reconheceu que emigrar "é difícil porque o caminho é perigoso, mas é assim" porque em Honduras "não há trabalho" ou "vamos trabalhar por uma miséria".
Villanueva afirmou que "não se sabe" se Trump irá cumprir as suas ameaças contra os migrantes. "É a sorte de cada um", comentou.
"Vamos ver se Deus nos abre uma nova porta lá no território americano", declarou Esaú Cerrato, outro dos migrantes.
Trump fez da política migratória um dos temas dominantes da sua campanha eleitoral e prometeu deportações em massa assim que tomar posse, em 20 de janeiro, embora sem dar detalhes sobre como as realizará.
Segundo as autoridades hondurenhas, cerca de 280 mil hondurenhos poderão ser deportados. Em 2024, foram mais de 37 mil.
Quase dois milhões de hondurenhos, a maioria deles sem documentos, vivem nos Estados Unidos e ajudam a sustentar a economia de Honduras.
Segundo o governo, em 2024, Honduras recebeu 9,62 bilhões de dólares (cerca de 58 bilhões de reais) em remessas familiares, o que equivale a mais de 25% do PIB.
Os hondurenhos foram os primeiros a partir em caravanas. Em outubro de 2018, cerca de 1.500 deixaram San Pedo Sula, e juntaram-se a eles guatemaltecos, salvadorenhos e mexicanos.
No entanto, poucas caravanas conseguiram passar pela Guatemala depois de serem reprimidas pela polícia.
T.Egger--VB