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Afeganistão denuncia ataque paquistanês que deixou 46 mortos e promete resposta
Ao menos 46 pessoas morreram no leste do Afeganistão em bombardeios do vizinho Paquistão, que classificou as ações nesta quarta-feira (25) como "operações contra esconderijos de terroristas".
O Paquistão afirma que alguns grupos armados, como os talibãs paquistaneses da organização TTP, utilizam o território afegão como base de retaguarda para executar atentados.
Na semana passada, 16 soldados paquistaneses morreram em um ataque contra uma base militar perto da fronteira porosa com o Afeganistão. O atentado foi reivindicado pelos talibãs paquistaneses.
"Na noite de ontem (terça-feira) houve bombardeios paquistaneses no distrito de Barmal, na província de Paktika", denunciou nesta quarta-feira o porta-voz do governo talibã afegão, Zabihullah Mujahid.
"O número total de mártires é 46, a maioria mulheres e crianças", afirmou o porta-voz, que também citou seis feridos no ataque.
O governo talibã de Cabul nega que grupos armados estrangeiros utilizem o território do Afeganistão para preparar atentados. O Ministério da Defesa prometeu responder ao que chamou de "clara agressão" por parte de Islamabad.
"O emirado islâmico não deixará o ataque covarde sem resposta", afirmou o ministério em um comunicado.
Uma fonte das forças de segurança do Paquistão afirmou que os ataques de terça-feira foram executados por aviões e drones contra "esconderijos de terroristas".
A fonte rejeitou a afirmação de Cabul de que civis morreram nos ataques e citou as mortes de pelo menos 20 talibãs paquistaneses.
A mesma fonte atribuiu, em parte, a operação ao atentado de 21 de dezembro contra uma base militar e enfatizou que há "provas confiáveis de que o regime talibã facilita o trânsito de combatentes do 'Tehrik e Taliban Paquistão' (TTP) através da fronteira, para que executem atentados no Paquistão".
"Estas operações (no Afeganistão) prosseguirão, se necessário e quando for necessário", alertou.
Malil, um morador de Barmal (distrito da província afegã de Paktika, na fronteira com o Paquistão), afirmou que "duas ou três casas" foram atingidas por um bombardeio na terça-feira à noite.
"Em uma casa morreram 18 pessoas, uma família inteira", disse à AFP.
B.Baumann--VB