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Eleições de 2026 sem Lula e Bolsonaro?
Os candidatos às eleições presidenciais de 2026 são uma incógnita. A frágil saúde do presidente Lula (PT) e as restrições legais de seu principal adversário, Jair Bolsonaro (PL), podem deixar os dois protagonistas da política brasileira fora da disputa.
Luiz Inácio Lula da Silva, de 79 anos, está hospitalizado após passar por uma cirurgia bem-sucedida na terça-feira para conter uma hemorragia intracraniana, consequência de uma queda sofrida há quase dois meses.
Seus médicos informaram, nesta quinta-feira (12), que ele está "neurologicamente perfeito" após a operação, realizada na terça-feira e complementada dois dias depois com um cateterismo para minimizar o risco de novos sangramentos.
Antes de seus atuais problemas de saúde, a percepção geral era de que Lula se preparava para se candidatar novamente, embora não tivesse feito um anúncio oficial.
Por sua vez, Bolsonaro, de 69 anos, enfrenta barreiras judiciais para tentar voltar à Presidência, perdida para Lula nas eleições de 2022.
O ex-capitão do Exército está inelegível por oito anos por ter questionado, sem provas, a confiabilidade do sistema de votação com as urnas eletrônicas.
Outro obstáculo pode surgir caso a Procuradoria o acuse formalmente de tentativa de golpe de Estado, após uma investigação da Polícia Federal apontar sua possível participação em um plano frustrado para se manter no poder após as eleições de 2022.
- "Não tem ninguém falando de sucessão" -
Impassível diante das acusações, que ele nega, Bolsonaro garante que será o candidato das forças conservadoras em 2026, apostando na anulação de sua inelegibilidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e na aprovação de uma anistia pelo Congresso.
"O plano A sou eu, o plano B sou eu também e o plano C sou eu", declarou o ex-presidente na semana passada a uma emissora de rádio. "A não ser depois da minha morte física ou política em definitivo que eu vou pensar em um possível nome", acrescentou.
Lula também ficou inelegível nas eleições de 2018 após ser condenado na justiça comum por corrupção. Seu então vice na chapa, Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda, assumiu a candidatura, mas foi derrotado por Bolsonaro. Posteriormente, o STF anulou as condenações.
Por décadas, Lula monopolizou a liderança da esquerda brasileira: foi candidato em seis das oito eleições presidenciais desde o fim da ditadura militar no país, na década de 1980. Após vencer em 2002 e ser reeleito em 2006, ele deixou o governo com popularidade recorde.
“Não tem ninguém falando de sucessão em 2026 neste momento”, disse à AFP uma fonte do Partido dos Trabalhadores (PT). “Todo mundo dá como certo que Lula será candidato”.
Lula “vai ser com certeza nosso candidato em 2026 para poder manter o nosso projeto", afirmou, nesta quinta-feira, à CNN o ministro da Comunicação, Paulo Pimenta.
Seis em cada dez eleitores de esquerda esperam que o petista dispute a reeleição em 2026, segundo uma consulta realizada pela MDA Pesquisa em novembro.
"Lula está perto dos 80 anos e não tem substituto. Essa é a desgraça do Brasil", lamentou recentemente o ex-presidente uruguaio José ‘Pepe’ Mujica em entrevista à AFP.
Pesquisas e especialistas apontam Haddad, uma das figuras mais reconhecidas do governo, como seu principal sucessor em potencial.
- Inspirado em Trump -
Apesar de inelegível, Bolsonaro permanece politicamente ativo e continua sendo o maior nome da direita.
"Ele tenta se inspirar no Trump (...) Mas ainda tem uma longa batalha nos tribunais brasileiros", disse à AFP Roberto Goulart, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.
A imprensa e analistas apontam vários nomes como possíveis herdeiros de seu eleitorado. O de maior destaque hoje é Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador do estado de São Paulo.
Um dos filhos do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL), também se autoproclamou como um possível "plano B" para os conservadores. E até mesmo sua esposa e ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, de 42 anos, presidente nacional do PL Mulher, aparece na lista.
De acordo com Goulart, Bolsonaro "é uma liderança que ainda está para se confirmar do ponto de vista da longevidade".
A.Ammann--VB