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Venezuela restabelece eletricidade e especialistas apontam para 'falha'
A Venezuela retomou o serviço elétrico na madrugada deste sábado (31), após um grande apagão de mais de 12 horas rotulado pelo governo como "sabotagem" da oposição em meio às suas denúncias de fraude eleitoral, embora especialistas apontem para uma falha e para o colapso do sistema elétrico.
A falha teve origem na central hidrelétrica Simón Bolívar, principal geradora de eletricidade da Venezuela, na madrugada de sexta-feira. O país inteiro ficou na escuridão, revivendo o fantasma do enorme apagão de 2019, que durou em média cinco dias.
"Estamos normalizando, regularizando, passo a passo com garantias, com segurança", disse o presidente Nicolás Maduro na noite de sexta-feira, sem especificar detalhes para evitar, como explicou, um "contra-ataque": as interrupções do serviço são frequentes há uma década, especialmente no interior.
Maduro costuma apresentá-las como planos da oposição para derrubá-lo, embora os especialistas falem de falta de investimento e manutenção no sistema elétrico e nas suas redes de distribuição.
"Eu acho que o que aconteceu foi uma falha e a falha não devia ter maiores consequências, mas a precariedade do sistema elétrico venezuelano é tal que uma coisa levou à outra (...) E as redes de distribuição foram afetadas", disse à AFP o especialista em análise de riscos elétricos, José Aguilar.
"Supostamente se originou por descarta atmosférica" e os equipamentos de proteção "falharam" por falta de "manutenção ou substituição", disse, por sua vez, Víctor Poleo, ex-vice-ministro de Energia Elétrica.
- "Intermitência" -
A eletricidade começou a chegar a alguns estados após 12 horas de apagão, às 16h00 locais de sexta-feira (17h00 no horário de Brasília) e foi restabelecida em quase todo o país na manhã de sábado, segundo veículos de comunicação locais e moradores consultados pela AFP.
Em estados andinos como Mérida e Táchira, ou nos seus vizinhos Lara e Zulia, no oeste, há registros de intermitência no serviço, embora sejam regiões normalmente afetadas pelas prolongadas interrupções diárias.
"Em Michelena [Táchira], chegou por volta da meia-noite, tinha chegado no início da tarde, mas saiu e [voltou, e desde então] não faltou mais", disse Thais Hernández, dentista de 29 anos, à AFP.
A ONG VE Sin Filtro, que mede o nível de conexão à Internet no país, reportou 92,7% de conectividade na madrugada deste sábado.
O serviço de metrô de Caracas também foi totalmente restabelecido, segundo autoridades de transporte.
Maduro falou do "papai e mamãe de todos os ataques que foram feitos a Guri", como é popularmente conhecida a hidrelétrica, que leva o nome da cidade onde está localizada, no estado de Bolívar.
- "Anos de crise elétrica" -
O incidente ocorreu um mês depois das eleições de 28 de julho, nas quais Maduro foi reeleito para um terceiro mandato consecutivo de seis anos, até 2031, em meio a denúncias de fraude.
Ainda antes das eleições, o governo alertou para um possível "ataque" ao sistema elétrico para impedir o processo ou tentar ganhar poder político através de "manobras desestabilizadoras".
"Quinze anos de crise elétrica (...) O regime de Maduro insiste em culpar a oposição", acrescentou Poleo. Os "apagões favorecem os regimes totalitários" porque lhes permitem "exercer maior controle sobre a população" e "desviar a atenção de seus próprios fracassos".
"É um ataque cheio de vingança, um ataque cheio de ódio que vem de setores fascistas", insistiu Maduro. "Peço justiça para os autores materiais e intelectuais deste ataque criminoso".
No radar: a líder da oposição María Corina Machado e o rival de Maduro nas eleições, Edmundo González Urrutia, para quem o presidente já pediu a prisão. Ambos estão na clandestinidade.
González Urrutia, de 75 anos, foi intimado a comparecer na sexta-feira ao Ministério Público, que abriu uma investigação criminal contra ele. Esta foi a terceira intimação, mas ele não compareceu. Não está claro como ficou esse procedimento em meio ao apagão nacional.
O.Schlaepfer--VB