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Tropas ucranianas seguem combatendo em região fronteiriça russa
Tropas ucranianas se mantinham, nesta quarta-feira (7), em solo russo, em uma incursão iniciada na véspera que provocou a evacuação de milhares de pessoas de ambos os lados da fronteira.
As forças ucranianas penetraram na terça-feira, segundo Moscou, na região de Kursk com até mil soldados, uma dezena de tanques e cerca de vinte veículos blindados.
As autoridades ucranianas se abstiveram até o momento de qualquer declaração oficial sobre esta operação.
O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou uma "provocação em grande escala" e afirmou que "o regime de Kiev" está "disparando indiscriminadamente com vários tipos de armas, incluindo foguetes, contra edifícios civis, casas e ambulâncias".
O chefe do Estado-Maior do Exército russo, Valery Gerasimov, informou a Putin que "a penetração em profundidade do inimigo no território foi interrompida pela aviação e artilharia", em uma reunião transmitida pela televisão.
Os combates continuam "nas zonas imediatamente adjacentes à fronteira", acrescentou Gerasimov. "A operação acabará com a derrota do inimigo", proclamou.
Segundo o canal no Telegram Rybar, com milhões de seguidores e próximo ao Exército russo, as tropas ucranianas tomaram três povoados na região de Kursk.
Uma fonte dos serviços de segurança ucranianos (SBU) declarou à AFP que um pequeno drone destruiu um helicóptero russo Mi-28 em pleno voo, um fato "sem precedentes na história da guerra".
Desde o início da operação militar russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, ocorreram várias incursões de combatentes pró-ucranianos em território russo.
O Exército russo afirmou ter repelido cada uma dessas incursões, mas algumas delas exigiram o uso de artilharia e aviação, como no caso da operação de terça-feira.
- Milhares de evacuados -
Os confrontos e bombardeios provocaram a evacuação de civis de ambos os lados da fronteira.
Na Rússia, as autoridades anunciaram que "vários milhares" de pessoas haviam abandonado as áreas fronteiriças, onde pelo menos cinco civis morreram e 28 ficaram feridos, incluindo crianças.
Na região ucraniana de Sumy, em frente à região russa de Kursk, as autoridades ordenaram a "evacuação obrigatória" de 23 localidades, uma medida que afetou 6.000 pessoas, entre elas 425 crianças, segundo o governador regional Volodimir Artiukh.
"A situação na região de Sumy é muito tensa" devido aos bombardeios, indicou à televisão ucraniana.
O governador interino da região de Kursk, Alexey Smirnov, anunciou, por sua vez, o cancelamento de todos os eventos públicos e pediu à população que doe sangue para abastecer os estoques dos estabelecimentos médicos.
Esta incursão ocorre após meses de intensificação da ofensiva russa no leste da Ucrânia, que enfrenta uma escassez de suprimentos e efetivos e pede mais ajuda de seus aliados ocidentais.
Um especialista militar ucraniano, Sergey Zgurets, avaliou que esta operação em território russo poderia ser uma tentativa de desviar as forças russas de outros setores do front.
A geografia desta zona russa permite "realizar de forma eficaz esse tipo de ação dissuasiva contra o inimigo com um dispositivo reduzido, e isso é provavelmente o que o exército ucraniano está fazendo", indicou à AFP.
- Ataques com drones -
Outras duas regiões russas na fronteira com a Ucrânia, Voronezh e Belgorod, também foram alvos nesta quarta-feira de ataques de drones ucranianos contra edifícios residenciais, segundo as autoridades locais.
Em Voronezh, capital da região de mesmo nome, os destroços de dois drones derrubados pela defesa antiaérea atingiam a fachada de um edifício e destruíram as janelas de vários apartamentos em outro, segundo o governador Alexander Gusev.
K.Hofmann--VB