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Rússia luta contra incursão ucraniana na fronteira
A Rússia prosseguia lutando nesta quarta-feira (7) contra uma incursão ucraniana iniciada na véspera em Kursk, região fronteiriça com a Ucrânia onde cinco civis morreram e milhares abandonaram suas casas devido aos combates e bombardeios, informaram fontes oficiais.
Segundo Moscou, as forças ucranianas entraram na terça-feira na região com quase 300 soldados, uma dezena de tanques e outros 20 veículos blindados.
Kiev mantém o silêncio sobre a operação.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou uma "provocação em larga escala" e afirmou que o "regime de Kiev" está "disparando indiscriminadamente com diversos tipos de armas, incluindo foguetes, contra edifícios civis, casas e ambulâncias".
O chefe de Estado deve se reunir nas próximas horas com os comandantes das forças de segurança e do Exército.
O Ministério russo da Defesa afirmou que "a operação de destruição das formações do Exército ucraniano continua", mais de 24 horas após o início da incursão.
Os confrontos prosseguiram durante a noite em áreas "imediatamente adjacentes à fronteira", acrescentou.
O ministério afirmou no Telegram que os soldados russos "impediram o inimigo de avançar mais profundamente no território russo", aparentemente reconhecendo que os soldados ucranianos conquistaram terreno durante a operação.
Segundo a rede Rybar no Telegram, que tem milhões de seguidores e é próxima do Exército russo, as tropas ucranianas tomaram vilarejos na região de Kursk.
Uma fonte do Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) declarou à AFP que um pequeno drone destruiu um helicóptero russo Mi-28 em pleno voo, um fato "sem precedentes na história da guerra".
Milhares de pessoas abandonaram a região devido aos combates e bombardeios, que deixaram pelo menos cinco mortos e 28 feridos entre os civis, informaram as autoridades locais.
O Ministério da Saúde da Rússia informou que 13 pessoas - incluindo três menores de idade - foram hospitalizadas na região após os bombardeios ucranianos.
As autoridades ucranianas mantêm silêncio quase total sobre a situação em Kursk.
Sergei Zgurets, especialista militar ucraniano, considerou que o Exército parece tentar desviar as forças russas de outros setores do front, onde enfrentam pressão há vários meses.
A geografia desta área da Rússia permite "executar de maneira eficaz este tipo de ação dissuasória contra o inimigo com um dispositivo reduzido. E é provavelmente isso que o Exército ucraniano está fazendo", declarou à AFP.
- Ataques com drones -
Outras duas regiões russas na fronteira com a Ucrânia, Voronezh e Belgorod, também foram alvos nesta quarta-feira de ataques de drones ucranianos contra edifícios residenciais, segundo as autoridades locais.
"Dois drones atacaram um prédio em Chebekino, Belgorod, quebrando as janelas de um apartamento e provocando um incêndio em outro", escreveu no Telegram o governador Vyacheslav Gladkov, segundo o qual "ninguém ficou ferido".
Em Voronezh, capital da região de mesmo nome, os destroços de dois drones derrubados pela defesa antiaérea atingiam a fachada de um edifício e destruíram as janelas de vários apartamentos em outro, segundo o governador Alexander Gusev.
Desde o início do conflito, em fevereiro de 2022, ocorreram várias incursões na Rússia por parte de combatentes da Ucrânia. O Exército russo afirmou que impediu todas, mas em alguns casos foram obrigados a recorrer à artilharia e aviação, como na incursão de terça-feira.
A operação acontece meio à luta das forças de Kiev, que enfrentam a falta de munições e de novos recrutas, para conter o avanço das tropas russas no leste da Ucrânia nos últimos meses.
Em maio, as tropas russas também iniciaram uma ofensiva terrestre na região fronteiriça de Kharkiv, onde tomaram várias localidades antes de serem contidas pelo Exército ucraniano.
T.Egger--VB