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Ao menos 55 mortos em protestos contra o governo em Bangladesh
Centenas de milhares de bengaleses protestaram neste domingo (4) para exigir a renúncia da primeira-ministra Sheikh Hasina, em um dos dias mais violentos desde o início da mobilização, com um balanço de pelo menos 55 mortos.
Os protestos, que começaram em junho para denunciar as politizadas cotas de admissão a cargos públicos, viraram os piores distúrbios enfrentados por Hasina em 15 anos de poder.
Ao menos 55 pessoas morreram neste domingo em confrontos entre manifestantes e simpatizantes do governo, segundo fontes policiais e médicas, o que eleva a pelo menos 261 o número de mortos desde julho.
Entre os mortos neste domingo estão "pelo menos 14 policiais", afirmou o porta-voz da força de segurança, Kamrul Ahsan, que também citou 300 agentes feridos.
A polícia afirmou que manifestantes atacaram seus agentes e uma delegacia na cidade de Enayetpur, nordeste do país.
"Os terroristas atacaram a delegacia e mataram 11 policiais", declarou o vice-general Bijoy Basak.
Correspondentes da AFP afirmaram que durante o anoitecer foram ouvidos tiros de armas de fogo, enquanto os manifestantes desafiavam o toque de recolher imposto em todo o país. O acesso à internet móvel continua severamente limitado.
- "Viver livremente" -
As tropas restabeleceram a ordem por alguns dias, mas a multidão retornou às ruas em agosto, com a intenção de paralisar o governo.
Milhares de pessoas, muitas armadas com pedaços de pau, lotaram neste domingo a praça Shahbagh, no centro de Daca, e foram registrados confrontos nas ruas em diversos pontos da capital, assim como em outras cidades importantes do país, informou a polícia.
"Houve confrontos entre estudantes e homens do partido governista", declarou à AFP o chefe de polícia Al Helal. Outro agente, que pediu para não ser identificado, declarou que Daca virou um "campo de batalha".
Em vários casos, os soldados e a polícia não atuaram para conter os protestos, ao contrário das manifestações do mês passado, que resultaram em repressões brutais.
Um respeitado ex-comandante do Exército exigiu que o governo retirasse as tropas e permitisse os protestos, o que representa uma repreensão simbólica a Hasina.
"Pedimos ao governo em exercício que retire imediatamente as Forças Armadas das ruas", disse Ikbal Karim Bhuiyan neste domingo, em uma declaração conjunta com outros ex-oficiais de alta patente, que condena os "assassinatos atrozes, torturas, desaparecimentos e detenções em larga escala".
As manifestações começaram com uma mobilização de estudantes contra uma norma que permite aos filhos dos veteranos de guerra um acesso mais fácil aos empregos públicos, regra que foi atenuada pelo Supremo Tribunal, mas não anulada.
"Mas a questão não é mais sobre cotas de emprego", disse Sakhawat, uma jovem manifestante que não revelou o sobrenome e chamou Hasina de "assassina".
"O que queremos é que a próxima geração possa viver livremente no país", acrescentou.
Sheikh Hasina, de 76 anos, governa o país desde 2009 e venceu as eleições pela quarta vez consecutiva em janeiro, uma votação que não teve uma oposição real.
Grupos de defesa dos direitos humanos acusam o governo de utilizar indevidamente as instituições do Estado para permanecer no poder e acabar com a oposição, inclusive por meio de execuções extrajudiciais.
N.Schaad--VB