-
Harvey Weinstein é condenado a 15 anos de prisão por agressão sexual
-
Cristiano Ronaldo diz que não pensa em aposentadoria da seleção portuguesa
-
Comércios fechados em cidade turística da Colômbia após violência do narcotráfico
-
Meia dinamarquês Christian Eriksen rescinde com o Wolfsburg
-
Presidente do Irã adverte Trump que seu país jamais se 'ajoelhará'
-
Harvey Weinstein é condenado a 15 anos de prisão após repetição de julgamento por agressão sexual
-
Almada e Foyth são cortados da seleção argentina por lesão
-
Milei diz que ONU é 'organização inútil' que alimenta 'casta de parasitas'
-
Alonso diz que carros híbridos estão acabando com pilotagem clássica da F1
-
Internacional anuncia Eduardo Baptista como novo técnico
-
Trump e Rodríguez conversaram sobre reestruturação da dívida venezuelana, afirma Rubio
-
Presidente do Irã alerta Trump na ONU que seu país não 'se ajoelhará'
-
Pela primeira vez, OSCE não foi convidada a observar as eleições nos EUA
-
Ataques russos contra instalações civis na Ucrânia deixam ao menos sete mortos
-
Isack Hadjar renova contrato com a Red Bull para 2027
-
Documentos questionam álibi de Hitler sobre morte suspeita de sobrinha
-
أليكس بودي والبروفيسور الدكتور شتيفان هاوبت يتفقان على التعاون من أجل مجموعة فنية أسطورية في رومانيا
-
アレックス・ボディ氏とシュテファン・ハウプト教授、ルーマニアの伝説的な美術コレクションをめぐり提携に合意
-
亞歷克斯·博迪與史蒂芬·豪普特教授就羅馬尼亞傳奇藝術收藏達成合作協議
-
Алекс Боді та проф. д-р Стефан Гаупт домовилися про співпрацю щодо легендарної колекції мистецтва в Румунії
-
Алекс Боди и проф. д-р Стефан Хаупт договорились о сотрудничестве в рамках легендарной коллекции произведений искусства в Румынии
-
Alex Bodi și prof. dr. Stefan Haupt încheie un acord de cooperare pentru o colecție de artă legendară în România
-
Alex Bodi e o Prof. Dr. Stefan Haupt acordam cooperação para uma coleção de arte lendária na Roménia
-
Justiça francesa confirma julgamento de jogador marroquino Achraf Hakimi por estupro
-
'Vou bater de novo mil vezes', diz Bruno Guimarães após virar a página de pênalti perdido na Copa
-
Os detectores de texto gerados por IA são confiáveis?
-
Crianças voltam às aulas no Irã
-
Reino Unido investiga Pornhub visando proteção a menores
-
França se prepara para receber papa Leão XIV com fervor inesperado
-
Brad Pitt conquista San Sebastián com história de sobrevivência
-
Irã e inteligência artificial na agenda da Assembleia Geral da ONU
-
Rebeldes do norte da Etiópia tomam controle de aeroporto e enfrentam militares
-
Muralha encontrada em Paris pode lançar luz sobre origens da cidade
-
Fenômeno literário na França sofre acusações de uso de IA
-
Para o Brasil 'nunca existem jogos amistosos', diz Ancelotti antes da partida contra a Índia
-
Departamento de Justiça afirma que Trump pode vetar acesso de jornalistas à Casa Branca
-
Economia mundial resiste em 2026 mas a incerteza persiste, alerta OCDE
-
Trump se reuniu com a presidente interina da Venezuela em Nova York
-
Líder opositora é impedida de retornar à Venezuela
-
Vale do Silício cria sua própria escola para substituir universidade
-
Trump e Delcy se reuniram em Nova York (Casa Branca)
-
EUA e Guatemala anunciam aliança de promotores para enfrentar 'narcopolíticos'
-
Presidente da Colômbia ordena militarização de Santa Marta
-
Fãs de 'Star Wars' prestigiam novo museu de George Lucas
-
Israel critica declaração da França na ONU
-
Escudo das Américas propõe 'medidas coletivas' contra grupos criminosos
-
Maradona teve morte súbita e covid-19 pode ter sido causa, diz testemunha em julgamento
-
Trump se mostra favorável a proibição da exportação de diesel americano
-
Houthis acusam Arábia Saudita de ataques e rei os chama de 'milícia terrorista'
-
Mbappé não participa de treino da seleção francesa devido a gripe
Francesas rompem silêncio sobre estupros cometidos por soldados americanos em 1944
Durante 80 anos, Aimée Dupré preferiu guardar silêncio sobre o estupro de sua mãe em 1944, mas, poucas semanas antes do 80º aniversário do desembarque das tropas aliadas na Normandia, decidiu falar: o estuprador era um soldado dos Estados Unidos.
Em 6 de junho de 1944, 156 mil soldados americanos, britânicos e franceses desembarcaram nas praias do noroeste da França.
A cem quilômetros de distância, na sua pequena aldeia de Montours, Aimée, uma jovem de 19 anos, estava feliz com a chegada destes "libertadores", que anunciavam o fim da ocupação alemã.
Mas na noite de 10 de agosto, dois G.I. - como são conhecidos os soldados americanos - entraram em sua fazenda. "Eles estavam bêbados e precisavam de uma mulher", resume modestamente Aimée, hoje com 99 anos.
De um móvel antigo, ela tira uma carta que sua mãe, Aimée Helaudais Honoré, escreveu "para não se esquecer de nada".
Com uma escrita elegante, a agricultora conta como os soldados atiraram no seu marido, como as balas perfuraram a sua boina e como ameaçaram a sua filha.
"Saí para protegê-la e eles me levaram para o campo. Eles me estupraram quatro vezes cada, se revezando", escreveu em sua carta. Oitenta anos depois, a voz de sua filha ainda falha ao lê-la.
"Ah, mãe, como você sofreu! Eu penso nisso todos os dias também", murmura. "Mamãe se sacrificou para me proteger. Enquanto a estupravam, esperamos no meio da noite sem saber se ela voltaria viva ou se atirariam nela", lembra.
Em outubro de 1944, após a decisiva Batalha da Normandia, as autoridades militares dos Estados Unidos julgaram 152 soldados por estuprar mulheres francesas.
Mas Mary Louise Roberts, uma das poucas historiadoras a estudar este "grande tabu da Segunda Guerra Mundial", acredita que houve muitos mais.
"Muitas mulheres preferiram ficar caladas. Além da vergonha ligada ao estupro, o clima era de alegria, de celebração dos libertadores", explica.
- "Mulheres fáceis" -
Para incentivar os G.I. a lutar longe de suas casas, "o Exército prometeu-lhes uma França cheia de mulheres fáceis", destaca a especialista americana.
O jornal Stars and Stripes, publicado pelas Forças Armadas dos EUA, está repleto de fotos de mulheres beijando libertadores. "As francesas são loucas pelos ianques (…) É por isso que lutamos", dizia a manchete do jornal em 9 de setembro de 1944.
"A perspectiva do sexo motivou os soldados americanos a lutar. Através da prostituição e do estupro, foi uma forma de dominarem a França, de dominarem os franceses que tinham sido incapazes de proteger o seu país e as suas mulheres dos alemães", explica Roberts.
"Podemos estimar que centenas, até milhares, de outros estupros cometidos por soldados americanos entre 1944 e a sua partida em abril de 1946 não foram denunciados", acrescenta.
Em Plabennec, no extremo oeste de França, Jeanne Pengam, de 89 anos, recorda "como se fosse ontem" o estupro da sua irmã mais velha, Catherine, e o assassinato do seu pai.
Ele "queria estuprar minha irmã mais velha. Meu pai interveio e o soldado o matou", explica ela, cercada por suas sobrinhas.
Jeanne, na época com 9 anos, correu para avisar uma guarnição americana a poucos quilômetros de distância.
"Eu disse que ele era alemão, estava errada. Quando viram as balas no dia seguinte, rapidamente perceberam que ele era americano", diz ela.
Catherine guardou "este segredo pesado" até o seu leito de morte, onde o confessou a Jeannine Plassard, uma das suas filhas, explica esta última.
"Perguntei a ela: 'Você conseguiu contar para alguém?' Ela respondeu: 'Falar com alguém? Era a Libertação, todo mundo estava feliz. Ninguém acreditaria em mim!'", lembra.
- "Bode expiatório" -
Em um livro de 1976, o escritor Louis Guilloux conta a sua experiência como tradutor para as tropas americanas após o Desembarque.
Guilloux também participou em julgamentos de estupros perante tribunais militares dos EUA e salienta que "os condenados à morte são quase todos negros", explica Philippe Baron, autor de um documentário sobre o livro.
Estes soldados foram enforcados nas praças das cidades francesas, como aconteceu com os estupradores de Aimée e Catherine.
Mas "por trás do tabu do estupro por parte dos libertadores, esconde-se o segredo vergonhoso de um Exército americano segregacionista (…), às vezes auxiliado por autoridades locais racistas", diz Baron.
Para Roberts, quando o comando militar percebe que "a situação está fora de controle", ele "decide usar soldados negros como bode expiatório para transformar o estupro em um 'crime negro'" e "manter a reputação do povo branco americano".
Entre 1944 e 1945, 25 dos 29 soldados condenados à morte por estupro eram negros.
"O Exército dizia que 'os negros eram potenciais estupradores', que tinham uma 'sexualidade exacerbada', um estereótipo racista do Sul" dos Estados Unidos, explica.
A historiadora especifica que eles pertenciam a unidades logísticas que permaneciam mais tempo no local e tinham mais contato com a população, "incluindo mulheres".
"Os soldados brancos estavam em unidades móveis. Eles podiam estuprar uma francesa à noite e sair pela manhã, sem serem presos. E se isso acontecesse, o depoimento da vítima geralmente era questionado", acrescenta.
Submetida à vigilância policial em 2013, após a publicação do seu livro sobre esta história, Roberts estima que, 80 anos depois do Desembarque, "o mito do G.I. continua".
"A Segunda Guerra Mundial é a guerra boa, porque todas as guerras que o nosso governo travou desde então foram derrotas morais, como o Vietnã ou o Afeganistão", analisa.
"Ninguém quer perder o herói americano que nos orgulha: corajoso, protetor das mulheres (…). Mesmo que isso signifique perpetuar a mentira", conclui.
W.Huber--VB