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Copa do Mundo Feminina no Brasil pode 'mudar vidas' de muitas jogadoras, diz Formiga
A Copa do Mundo Feminina no Brasil em 2027, a primeira na América do Sul, será uma oportunidade de "mudar a realidade de inúmeras meninas" que jogam na região, diz a lendária Formiga em entrevista à AFP.
Miraildes Maciel Mota, a Formiga, de 48 anos, celebra a evolução do futebol feminino no país, onde este esporte foi proibido por decreto para as mulheres de 1941 até 1979.
No evento "Esporte Cria", organizado em São Paulo pelo Comitê Olímpico do Brasil, a única jogadora a disputar sete Copas do Mundo e sete Olimpíadas acredita que a Seleção tem talento para quitar uma dívida pendente: conquistar o campeonato mundial feminino após os históricos cinco títulos mundiais masculinos.
O torneio será disputado de 24 de junho a 25 de julho do próximo ano.
Confira trechos da entrevista a seguir.
Pergunta: O que a Copa do Mundo Feminina representa para o Brasil e para a América do Sul?
Resposta: "Temos uma grande chance de mudar a realidade do futebol sul-americano de mulheres. Já passamos por tantas situações adversas e hoje, nos dá uma certeza de que sempre estivemos no caminho correto, independente das situações, dos 'nãos' que recebemos, de não ter estrutura, de sempre sonhar que um dia o futebol feminino brasileiro ia ter a sua chance (...). Temos hoje essa grande chance de mudar vidas, mudar a realidade de inúmeras meninas, não só no Brasil, mas também em nossos países vizinhos".
P: Um antes e um depois?
R: "Sim, um marco. Existem inúmeros talentos no futebol feminino, só que, por falta de oportunidade, cada país perde esse talento. Então é um marco e que assim possamos mudar a mentalidade de muitos que ainda não acreditam, que acham que o futebol feminino não é um esporte que transforma".
P: Qual a situação do futebol feminino brasileiro atualmente?
R: "Europa e Estados Unidos sempre estiveram à frente, por uma estrutura e um trabalho que tiveram antes. E no Brasil tivemos 40 anos de proibição, no qual nos atrasou, mas estamos evoluindo. Muitos dizem que o Brasil hoje é uma potência. Sim, mas precisamos sempre comprovar que somos. Então estamos chegando lá (...) hoje posso dizer que o Brasil está se consolidando próximo aos Estados Unidos, França, Espanha".
- "Lutar contra todos e todas" -
Meio-campista incansável, Formiga se aposentou em 2022 no São Paulo. Ao longo de sua carreira, iniciada nos primeiros anos da década de 1990, jogou na França, pelo Paris Saint-Germain, e nos Estados Unidos.
P: Jovens como Kerolin, que acaba assinar com o Barcelona, se juntaram a jogadoras com mais experiência. O Brasil pode, enfim, ser campeão?
R: "Pode, com certeza, mas para chegar precisamos lutar contra todos e todas. E ter esse mercado do futebol feminino hoje crescendo cada vez mais nos dá oportunidades de exportar nossas jogadoras para que tenham essa experiência de saber a filosofia de trabalho de outros países e trazer essa experiência para a Seleção Brasileira, que ajuda aquelas que jogam aqui".
P: O que você acha do trabalho do técnico Arthur Elias?
R: "Que bom que o Arthur e sua comissão são competentes, e que hoje eles estão tendo toda a estrutura para transformar (...) o tanto que temos de campeonato hoje, o Campeonato Brasileiro Feminino, o ajuda a ter dimensão de inúmeras jogadoras. Ajuda as meninas a acreditar que é possível".
- Espera por Marta -
Junto à Rainha Marta, Formiga esteve perto do título mundial na China em 2007, quando o Brasil perdeu a final para a Alemanha, e conquistou, entre outros títulos, duas medalhas de prata olímpicas.
P: Você disputou sete vezes a Copa do Mundo. O que teria feito para jogar em casa?
R: "Lutamos muito por isso. Saí antes desse sonho ser realizado. Mas me sinto realizada e feliz de que essa nova geração está tendo uma grande oportunidade e que elas possam desfrutar do primeiro ao último minuto".
P: Marta completa 41 anos em fevereiro. Ela chega ao Mundial?
R: "Estou toda na torcida. É a despedida da Seleção Brasileira diante da nossa torcida brasileira, não tem por que ela não estar nessa Copa do Mundo. Se não fosse como titular, que ela esteja no elenco (...) é uma peça importante no grupo".
P: Como você viveu a crise da Fifa em torno da proposta de abrir torneios como a Copa do Mundo ao capital privado e da ameaça, que acabou sendo descartada, de um boicote da Europa?
R: "Preocupa muito toda essa situação de ter boicote e acabar prejudicando essa Copa do Mundo. Acho que é necessário repensar, porque a Copa do Mundo de Futebol é do mundo. Então não é legal dar para outras pessoas cuidarem, muito pelo contrário. Se quer colocar alguém, faz com que os jogadores, as jogadoras, possam trazer cada vez mais melhorias para o futebol".
M.Schneider--VB