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Espanha acorda campeã e de ressaca
Latas de cerveja, copos quebrados e sacos plásticos espalhados pelas ruas de Madri lembram a grande festa da noite anterior, enquanto as equipes de limpeza trabalham para deixar a cidade impecável antes da chegada dos campeões.
"Sinceramente, estou muito cansado, porque ontem, com toda a questão da prorrogação, no fim das contas você vai dormir num domingo à uma e meia, duas da manhã, depois ainda vai até a praça Colón para comemorar, já são três da manhã, dorme quatro horinhas... e agora é hora de trabalhar", conta Bruno González del Yerro na manhã desta segunda-feira (20).
O cansaço é evidente no jovem de 32 anos, que diz sobreviver graças à "adrenalina do jogo" e a "café, muito café".
Ele espera ansiosamente o fim da reunião matinal para tomar "um café com os colegas" e "comentar um pouco a partida, porque no escritório todo mundo gosta bastante de futebol".
"Estou com olheiras enormes! Dormi só quatro horas! Fui dormir às quatro da manhã e agora tenho que ir trabalhar", comenta, sorrindo, Catalina Sánchez, uma secretária de 64 anos que passou a noite comemorando com as filhas.
O maior desafio para muitos espanhóis nesta segunda-feira será justamente enfrentar a jornada de trabalho.
"Ganhar uma final de Copa do Mundo e ter que trabalhar no dia seguinte é um pouco pesado, não é? Podiam marcar a final para um sábado. Seria melhor para quem precisa trabalhar no dia seguinte", opina Paco Penadés, servidor público de 43 anos.
- Rouquidão e olheiras -
Os estudantes Tomás Hernanz e Martín Peña, ambos de 18 anos, também estão roucos.
Depois de uma longa noite de festa, Tomás ainda carrega a bandeira da Espanha amarrada às costas, e nenhum dos dois amigos quer ir dormir, porque "é uma coisa que acontece a cada quatro anos" e "poucas seleções tiveram a oportunidade de conquistar esse troféu".
O plano dos jovens é "passar o dia inteiro por Madri" e aproveitar "um sentimento que queremos viver agora e do qual não vamos nos arrepender".
A seleção espanhola desfilará pelo centro da capital nesta segunda-feira, em um percurso até a praça de Cibeles, onde ficam a prefeitura e o tradicional palco das comemorações do Real Madrid.
Foi montado um palco onde será realizada a cerimônia para celebrar o título conquistado pela Fúria.
"Assim que puder, estarei pronto para receber nossos campeões", diz José Márquez, militar de 37 anos que trabalha "bem ao lado".
Ele também tenta disfarçar o cansaço: "Fui dormir às duas da manhã, então estou com um pouco de sono, mas vale a pena".
Pelas ruas de Madri, as bochechas de algumas torcedoras ainda estão pintadas de vermelho e amarelo, enquanto outros pedestres seguem para o trabalho vestindo a camisa da seleção.
A vitória da Espanha sobre a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026, 16 anos depois da conquista do primeiro título mundial da Fúria, provocou uma explosão de felicidade em todo o país: buzinas de carros, fogos de artifício e gritos. O país inteiro saltou em comemoração ao apito final, e a festa se estendeu por várias horas.
As celebrações, porém, foram marcadas por uma tragédia: um adolescente morreu em Ciudad Rodrigo, no oeste da Espanha, após o desabamento de uma fonte sobre a qual várias pessoas haviam subido para assistir à festa.
C.Bruderer--VB