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Liderada por Messi, Argentina desafia monopólio europeu na Copa do Mundo
Só a Argentina pode impedir que o troféu da Copa do Mundo retorne à Europa. Os atuais campeões continuam na disputa graças a um esforço heroico, lágrimas e uma boa dose da magia de Messi, mas um grande desafio os aguarda neste sábado (11), nas quartas de final, contra a Suíça.
Se passarem por essa partida em Kansas City, a 'Albiceleste' será a única equipe não europeia nas semifinais, onde enfrentaria Inglaterra ou Noruega.
O Marrocos, o único outro representante de fora da Europa nas quartas de final, não conseguiu resistir à força da França de Kylian Mbappé, deixando a Argentina sozinha contra as potências do Velho Continente.
Nesta fase do torneio, a equipe do técnico Lionel Scaloni precisará elevar o nível do jogo coletivo para aliviar o peso sobre Lionel Messi, que tem carregado o ataque praticamente sozinho.
Até agora, o capitão conduziu o time pelas águas turbulentas do mata-mata, garantindo vitórias dramáticas sobre Cabo Verde e Egito.
Ele marcou oito dos 14 gols da equipe no torneio e divide o topo da artilharia com Mbappé.
No entanto, esse desempenho, inédito para um jogador de 39 anos, ainda não reflete totalmente a contribuição indispensável da estrela do Inter Miami.
A partida das oitavas de final, realizada na terça-feira em Atlanta, foi o maior e mais dramático exemplo disso.
Os campeões mundiais estavam à beira do abismo contra o Egito, perdendo por 2 a 0 a apenas 11 minutos do fim, quando Messi surgiu para salvar o time com uma assistência e um gol que abriram caminho para a vitória por 3 a 2.
- Ajuda para Messi -
Com muito mais coração do que futebol, a Argentina alcançou até agora seu grande objetivo: garantir que a última Copa do Mundo de Messi não chegue ao fim.
Cada vitória adia a despedida do ícone e libera emoções intensas, como as lágrimas que Messi derramou após o 'milagre de Atlanta' e a reação de seus companheiros, que o cercaram em um abraço coletivo e o jogaram para o alto.
"Queremos que ele sinta que estamos com ele até o fim", explicou o meio-campista Leandro Paredes. "Também estamos jogando para que sua última partida não chegue nunca".
Do lado de fora a devoção inabalável do elenco ao seu capitão comove, mas também há uma expectativa de que eles lhe ofereçam um apoio maior em campo.
Além de Messi, que balançou as redes em todas as cinco partidas, nenhum jogador marcou mais do que um gol. E algumas figuras importantes, como Julián Álvarez, não contribuíram com gols nem assistências.
- Suíça bate à porta -
Em teoria, um oceano separa a Argentina, invariavelmente acompanhada por uma onda de torcedores apaixonados, da Suíça, uma confederação de nove milhões de habitantes que não chegava tão longe em uma Copa do Mundo desde 1954, quando sediou a competição.
A própria seleção suíça alimentou a narrativa de Davi contra Golias, mesmo tendo sido eliminada apenas nas quartas de final nas duas últimas Eurocopas, em ambos os casos, nos pênaltis, contra Espanha e Inglaterra.
"Vou jogar contra o Messi. Agora posso me aposentar", brincou o atacante Zeki Amdouni.
- Manzambi é desfalque -
Para além do discurso, a Colômbia pode atestar a competitividade da Suíça.
À frente da equipe está o meio-campista Granit Xhaka, um dos três remanescentes do último confronto entre as duas seleções, ao lado de seu companheiro de equipe Ricardo Rodríguez e do próprio Messi.
Esse duelo ocorreu nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, quando a Argentina teve de sofrer muito para vencer a equipe europeia por 1 a 0, graças a um gol de Ángel Di María no fim da prorrogação (118').
"Não estamos falando em revanche. Esta será uma partida muito diferente daquela de 2014", declarou Xhaka na coletiva de imprensa desta sexta-feira.
Ao seu lado, o técnico Murat Yakin afirmou ter "várias soluções" para parar Messi de forma coletiva.
"Atuaremos como uma unidade", afirmou o treinador, que comanda a seleção suíça desde 2021. "Tentaremos fazer a bola circular e pressionar a Argentina no campo de ataque".
Yakin também foi questionado a respeito da arbitragem nos jogos da Argentina, após uma reclamação apresentada pelo Egito depois de sua derrota nas oitavas de final.
O técnico considerou a arbitragem justa, mas ressaltou a importância de "manter a firmeza" contra os atuais campeões.
"A Argentina é muito inteligente. Cada disputa é intensa. Eles jogam com muita garra. Há muita paixão. E, se você não se mantiver firme, não vencerá. Estamos muito bem preparados", afirmou.
Para essa tarefa difícil, Yakin não contará com o promissor meio-campista Johan Manzambi, destaque da seleção suíça no torneio, devido a uma lesão no joelho que também o deixou de fora da partida das oitavas de final contra a Colômbia.
F.Wagner--VB