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Com fase de grupos chegando ao fim, expansão da Copa do Mundo para 48 seleções ainda gera debate
Espetáculo, estrelas em plena forma e equipes pequenas surpreendendo: a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, formato implementado pela primeira vez nesta edição de 2026, continua sendo motivo de debate à medida que a "interminável" fase de grupos chega ao fim.
"Todas as nações têm o direito de sonhar. O futebol não se limita à Europa e à América Latina", declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em 2017, quando foi adotada a polêmica mudança que ampliava o torneio mais importante do futebol de 32 para 48 participantes.
Desde a Copa do Mundo de 1998, na França, o torneio vinha sendo disputado com 32 seleções.
Com essa evolução, a Fifa elevou ainda mais o sarrafo em termos de gigantismo.
Mais grupos (12 ao invés de oito), mais jogos (104 ao invés de 64), três países-sede gigantescos (Estados Unidos, México e Canadá) e 16 estádios para acomodar essa enorme programação.
- Mais jogos, mais receita para a Fifa -
A Fifa, conta com mais associações nacionais em seu quadro (211) do que a ONU tem de Estados-membros (193), tem buscado envolver o maior número possível de regiões geográficas, com uma preocupação tanto financeira quanto política, com Infantino tendo em mente sua candidatura à reeleição em 2027.
"Isso faz parte de uma estratégia global da Fifa voltada para reforçar a universalidade do futebol. Não se trata apenas de uma escolha esportiva, mas também de um palanque de desenvolvimento e influência em escala global. Mais jogos também significam mais direitos de transmissão e maior receita comercial", observou Vincent Chaudel, fundador do Sports Business Observatory, em entrevista ao jornal francês Brut.
O maior sucesso reside, sem dúvida, na inclusão de nações até agora excluídas da grande festa do futebol.
Curaçao, Cabo Verde, Haiti, Jordânia, Uzbequistão, Escócia... Todos esses são países que, muito provavelmente, não teriam conseguido garantir uma vaga na Copa de 2026, na América do Norte, sob o formato antigo.
A classificação de Cabo Verde para a fase de 16-avos de final também serve como um forte argumento para justificar a presença dessas seleções consideradas "pequenas".
- Desequilíbrio -
A presença deles também resultou em confrontos extremamente desequilibrados, porém espetaculares, para a alegria de estrelas ansiosas por inflar suas estatísticas.
Aos 39 anos, Lionel Messi já marcou cinco gols em dois jogos disputados e, com isso, bateu o recorde de maior artilheiro da história das Copas (18 gols).
Kylian Mbappé, por sua vez, balançou a rede quatro vezes nas três rodadas da primeira fase e segue Messi de perto, somando agora 16 gols em sua terceira participação no torneio, enquanto Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, fez dois na goleada de Portugal por 5 a 0 sobre o Uzbequistão.
Não houve surpresas que animassem o início desta Copa do Mundo, que neste formato elimina apenas 16 das 48 equipes depois da fase de grupos. Motivo suficiente para dar argumentos àqueles que acreditam a principal competição da Fifa está perdendo valor esportivo.
Após uma maratona de jogos na primeira fase, o técnico português José Mourinho, recentemente contratado pelo Real Madrid, não parece muito convencido da lógica por trás dessa mudança.
- Copa só começa de verdade no mata-mata? -
"Em alguns jogos, eu perco o interesse depois de dez minutos. A Copa do Mundo é o melhor do melhor. Entendo que, para certos países, participar é algo incrível, mas placares como 7 a 1 ou 5 a 1 em Mundial não deveriam acontecer. Só vou começar a acompanhar de verdade quando a fase de mata-mata começar", afirmou Mourinho no podcast 'Beast Mode On'.
Enquanto alguns reclamam que a competição foi nivelada por baixo, outros apontam, por outro lado, a oportunidade proporcionada a mais nações de participar do torneio.
"Isso dá à África a oportunidade de finalmente desempenhar o papel que merece no cenário mundial", explicou à BBC o ex-atacante camaronês Samuel Eto'o, atual presidente da federação de seu país.
De qualquer forma, quem se opõe a esta Copa do Mundo pode ter uma decepção ainda maior nas próximas edições, já que Gianni Infantino guarda na gaveta um formato com 64 seleções.
W.Huber--VB