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Futebol vai destronar NFL nos EUA, prevê arquiteto da Copa do Mundo de 1994
Trinta e dois anos após liderar a organização da Copa do Mundo de 1994, um sucesso estrondoso que impulsionou o futebol nos Estados Unidos, Alan Rothenberg acredita que o esporte está destinado a superar a NFL como a modalidade mais popular no país
Quando os Estados Unidos sediaram sua primeira Copa do Mundo, recorda Rothenberg em entrevista à AFP, o futebol era visto por grande parte da mídia americana com "desdém, se não desprezo".
Uma série de preconceitos era repetida à exaustão: dizia-se que era um esporte monótono, com poucos gols e que, essencialmente, pertencia ao resto do mundo.
Em seu escritório em casa, em Beverly Hills, Rothenberg, hoje com 87 anos, sorri ao refletir sobre a evolução ocorrida até o momento em que os EUA voltarão a sediar a maioria das partidas da Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho.
A Major League Soccer (MLS), principal legado da Copa de 1994, cresceu para 30 equipes e conta com a presença de Lionel Messi, o jogador mais popular do planeta.
A média de público nos jogos, superior a 20 mil espectadores, já ultrapassou a das ligas da NBA (basquete) e da NHL (hóquei no gelo).
De suas casas, os torcedores americanos também acompanham com entusiasmo a Premier League e outros campeonatos europeus pela televisão aberta.
"Em 30 anos, acho que estaremos competindo, se é que já não estamos, com a NFL pela supremacia neste país", opinou Rothenberg.
"Não consigo imaginar a NFL alcançando patamares ainda mais altos. Em algum momento, ela vai estagnar (...) Enquanto isso, o futebol simplesmente continuará disparando", afirmou.
- Uma base sólida -
Para ilustrar seu argumento, Rothenberg cita o exemplo de sua 'alma mater', a Universidade de Michigan, uma potência do futebol americano universitário.
"Quando eu estava lá, e durante anos depois, as pessoas lançavam uma bola oval nos campos de Ann Arbor, enquanto hoje chutam uma bola redonda", explica ele.
Rothenberg narrou a ascensão do futebol em seu país em um novo livro de memórias: 'The Big Bounce: The Surge that Shaped the Future of US Soccer' ('O Grande Impulso: A onda de crescimento que moldou o futuro do futebol nos EUA', ainda sem versão em português).
Na década de 1960, ele foi executivo do Los Angeles Wolves na United Soccer Association, uma liga profissional dos EUA, e, mais tarde, dirigiu o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984, ocasião em que a França derrotou o Brasil na disputa pela medalha de ouro diante de um público de 101.799 pessoas em Pasadena.
Como diretor executivo da Copa do Mundo de 1994, Rothenberg supervisionou a edição com o maior público da história, registrando uma média de 68.991 espectadores.
Parte desse sucesso, segundo ele, se deveu à seleção dos EUA, que superou as expectativas ao chegar às oitavas de final, fase em que foi eliminada pelo Brasil, que viria a conquistar o título.
"Se a nossa seleção tivesse passado vergonha, independentemente de quantos ingressos vendêssemos ou de quanto dinheiro arrecadássemos, uma sombra iria pairar sobre o esporte", disse Rothenberg.
Três décadas depois, ele vê menos pressão sobre a equipe comandada por Mauricio Pochettino, já que o futebol agora se apoia em bases mais sólidas.
"Tenho certeza de que passaremos da fase de grupos. Até onde iremos depois disso depende de quanto evoluirmos e de quem enfrentaremos", observa ele.
"Mas não temo a humilhação, porque o esporte agora conta com um apoio que não tinha antes", afirma ele. "Uma grande atuação da nossa equipe realmente impulsionará o esporte. Mas um desempenho abaixo das expectativas não vai nos matar".
- Copa com 64 seleções? -
Desde 1994, a Copa do Mundo dobrou de tamanho, passando de 24 seleções para 48.
Rothenberg não se preocupa com uma possível queda na qualidade da competição e até apoia a expansão para 64 equipes nas futuras edições.
Eliminar a fase de grupos em favor de um formato de mata-mata transformaria cada partida em um confronto de vida ou morte, argumentou ele.
"É uma proposta radical, mas que valeria a pena analisar", sugere. "Haverá goleadas? Sim. Mas também haverá histórias de azarões, com um país surgindo do nada para dar um grande susto em um dos favoritos, ou até mesmo eliminá-lo".
Rothenberg também acredita que o sistema de venda de ingressos que a Fifa está utilizando desta vez, duramente criticado pelos preços elevados, não passará de "uma polêmica midiática".
"Neste país, estamos acostumados a preços altos e dinâmicos", contrapõe. "Há pessoas que não são ricas gastando milhares de dólares para ir a um show da Taylor Swift ou do Bad Bunny. Isso reflete a realidade do mercado".
"Os preços estarão fora do alcance de algumas pessoas? Sim, mas, infelizmente, isso vale para muitas coisas na sociedade hoje em dia", conclui.
L.Wyss--VB