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Brasil aposta em filhos de ex-jogadores da Major League Baseball para disputa de Mundial
O sangue de uma estrela da Major League Baseball corre em suas veias, embora, quando pequenos, tenham sido embalados para dormir ao som de canções brasileiras. No World Baseball Classic 2026, três membros da seleção do Brasil jogam com o sobrenome do pai, mas pelo país da mãe.
Aos 17 anos, Joseph Contreras é o jogador mais jovem desta competição, que desde quinta-feira reúne a maior constelação de estrelas do beisebol dos Estados Unidos, Porto Rico e Japão.
Ele nasceu na Geórgia, nos EUA, e seu pai é ninguém menos que o cubano José Ariel Contreras, ex-pitcher e campeão da World Series de 2005 pelo Chicago White Sox e All-Star da MLB. Sua mãe, Isabel, é brasileira.
"Em casa, sempre falo português com minha mãe e espanhol com meu pai, e eles me transmitiram valores e princípios", disse à AFP este arremessador destro, considerado um dos melhores jovens talentos com bolas rápidas que chegam a 158 km/h. Ele é cotado para ser escolhido na primeira ou segunda rodada do Draft da Major League Baseball de 2026.
"Praticamente nasci em um clubhouse [espaço reservado a jogadores e comissão técnica]. Sempre assisti aos jogos, cresci lá e sabia que era isso que eu queria fazer. Adoro jogar beisebol e, se pudesse transformar algo que amo em meu trabalho, não poderia pedir mais nada além disso", afirmou.
- Sobrenome não basta -
Mas ele sabia que não bastava ser apenas filho de alguém. Precisava trilhar seu próprio caminho. "Meu pai sempre me diz: 'Deus não deixa o trabalho duro de ninguém ser em vão'."
Ele escolheu jogar pelo Brasil porque acredita que é uma equipe corajosa, que, segundo ele, teve dificuldades para encontrar um técnico local. Por muito tempo, dependeram de jogadores estrangeiros e, finalmente, desde 2025, estão sob o comando de um brasileiro de ascendência japonesa, Yuichi Matsumoto.
A estreia nesta sexta-feira, no Daikin Park, em Houston, Texas, contra a poderosa seleção dos Estados Unidos, liderada por Aaron Judge, marca o retorno do Brasil ao torneio, do qual só participou uma vez, em 2013, sem conseguir passar de fase.
Mas a seleção brasileira vem se consolidando nos últimos anos na América do Sul e ostenta uma medalha de prata dos Jogos Pan-Americanos de 2023, sua maior conquista até o momento. "Podemos surpreender, isto é beisebol. E podemos fazer história", afirma Contreras.
O Brasil está no Grupo B com Estados Unidos, Grã-Bretanha, Itália e México. Os dois melhores times de cada chave avançam para as quartas de final.
- Brasil não é só futebol -
Outfielder esquerdo como seu pai, Lucas Ramírez é filho do ex-rebatedor designado Manny Ramírez, o astro dominicano que atuou pelo Cleveland Guardians, Boston Red Sox e Los Angeles Dodgers.
Aos 20 anos, Lucas joga numa liga menor do Los Angeles Angels. Sua mãe, Juliana, nasceu no Brasil.
"Sempre quis representar o Brasil para apoiar minha família. A cultura brasileira é muito rica", disse ele à AFP.
"O Brasil não se resume ao futebol, e acredito que muitos outros esportes podem surgir e se tornar grandes, talvez até chegar às Olimpíadas. E assim como estamos aqui no World Baseball Classic, se o beisebol conseguiu, qualquer outro esporte também consegue".
Ele conta que, desde criança, só queria jogar beisebol. "Claro, meu pai, Manny Ramirez, e vê-lo jogar me ajudou muito (...). Sua autoconfiança e seu esforço me motivaram a querer ser melhor e trabalhar mais do que ele, porque sou muito competitivo", afirma.
Nascido em Weston, na Flórida, ele acha "ótimo que haja outros grandes jogadores, filhos de brasileiros", na seleção. "É fantástico vê-los novamente, porque jogo com o Dante [Bichette Jr.] e os outros que se classificaram [para o Mundial]. Foi uma experiência incrível, e só posso agradecer a Deus por me colocar nesta posição".
- Questão de sangue -
O veterano Dante Bichette Jr., de 33 anos, nasceu em Orlando, na Flórida. Ex-promessa do New York Yankees, ele jogou nas ligas menores até 2020.
Seu pai, Dante Bichette Sr., foi um outfielder direito com quatorze temporadas na Major League Baseball, brilhando pelo Colorado Rockies. Seu irmão, Bo Bichette, assinou recentemente com o New York Mets após uma longa passagem pelo Toronto Blue Jays. E sua mãe, Mariana, é brasileira.
Esta é a segunda vez que Bichette Jr. representa o Brasil desde 2017 e, para deixar claro o orgulho que sente por sua pátria materna, ele pintou o cabelo de verde, em alusão à bandeira brasileira.
"Eu amo o Brasil, seu povo, São Paulo... Esta seleção é muito especial para mim. Ela tem muita luz", disse Dante à AFP. "É uma questão de sangue, sabe? Tem mais a ver com sangue brasileiro do que qualquer outra coisa. Somos uma grande família, e acho que a harmonia no Brasil é a minha parte favorita, sem dúvida".
D.Schaer--VB