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Lucas Pinheiro Braathen quer deixar sua marca dentro e fora das pistas de esqui
Dizer que Lucas Pinheiro Braathen se destaca no mundo do esqui alpino é um eufemismo: personalidade forte e talento versátil, o brasileiro será uma das principais atrações das modalidades técnicas nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026, determinado a deixar sua marca dentro e fora das pistas.
Apesar de ter conquistado a Copa do Mundo de slalom em 2023 e seis vitórias no circuito mundial, Lucas é (por enquanto) mais conhecido pelo público em geral por seu estilo extravagante do que por seus resultados.
É impossível falar de sua carreira sem mencionar as duas reviravoltas dramáticas que a marcaram: sua decisão de se aposentar em 2023, com apenas 23 anos, e seu retorno alguns meses depois, após abandonar a Noruega para representar o Brasil, país de sua mãe.
E daí que isso significa que ele não tem mais os mesmos recursos na federação brasileira como tinha na poderosa federação norueguesa? Que assim seja, explicou ele em entrevista à AFP em setembro do ano passado.
"Sempre foi meu sonho trilhar o meu próprio caminho. Porque sei que meu caminho é diferente do da maioria dos esquiadores", disse Lucas na Semana de Moda de Milão.
- "Curador da minha equipe" -
"Não se pode esperar um resultado diferente se você fizer o que todo mundo faz (...) Essa é a realidade que eu vivo agora. Sou o curador da minha equipe, dos nossos valores e estou em colaboração com a minha equipe. Agora faço parte da conversa, faço parte da construção dela. Simplesmente não estou me conformando com as abordagens de outras pessoas", comemorou o esquiador de 25 anos, nascido em Oslo.
E essa nova abordagem está funcionando. No dia 16 de novembro, ele venceu o slalom em Levi (Finlândia), tornando-se o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino.
Ele chega aos Jogos de Milão-Cortina para as provas de slalom gigante no sábado e de slalom na segunda-feira na segunda posição na classificação geral da Copa do Mundo e como número 2 do mundo no slalom.
Seu objetivo agora é conquistar um título em um evento importante, algo que ele nunca conseguiu em suas duas participações no Campeonato Mundial e nos Jogos Olímpicos (abandonos nas provas de slalom e slalom gigante em 2022).
"Nos Jogos Olímpicos, assim como em um campeonato mundial, são os detalhes que fazem a diferença. Em um contexto como este, tudo é importante e eu estava precisando da última peça do quebra-cabeça", acredita Lucas.
Ao se libertar das restrições norueguesas, o fenômeno, um ícone da moda que também está muito ocupado fora das pistas com a Octo, sua marca de beleza recém-lançada, acredita ter encontrado a peça que faltava.
Ele também encontrou o apoio, inesperado e vindo de longe, de um país inteiro onde o futebol é o rei indiscutível dos esportes.
- Primeira medalha do Brasil? -
"Não importa o esporte que você pratique, se você carregar a bandeira e almejar vitórias, os brasileiros estarão com você", diz o esquiador, que após o divórcio dos pais passou parte da infância em São Paulo.
"Foi justamente no Brasil que meu amor pelo esporte se desenvolveu, com o futebol, algo único, e é por isso também que sou um atleta competitivo em nível mundial", afirma.
A pressão é grande: Lucas pode dar ao Brasil sua primeira medalha na história dos Jogos de Inverno.
E, segundo o presidente da Confederação Brasileira de Esportes na Neve, Anders Petterson, não é só o Brasil que acompanha seu progresso com interesse.
"O Lucas não representa apenas o Brasil, ele representa toda a América do Sul. Não é como no futebol, onde existe uma rivalidade entre Brasil e Argentina", disse Petterson à AFP.
Mas quando estiver se preparando para iniciar sua descida, Lucas só terá uma pessoa em mente: ele mesmo: "Assim que começo a pensar em resultados, estatísticas ou no meu país, eu me perco. Só tenho que esquiar por mim e pela pessoa que eu sou".
O.Schlaepfer--VB