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Violência na Argentina assola novamente o futebol na América do Sul
O futebol sul-americano está lambendo as feridas nesta quinta-feira (21), após um novo caso de violência nas arquibancadas: os graves enfrentamentos entre torcedores argentinos e chilenos em Buenos Aires, que terminaram com mais de 100 pessoas detidas e 19 feridos, dois deles em estado grave.
Os confrontos no Estádio Libertadores de América, palco do jogo de volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana entre Independiente e Universidad de Chile, transcenderam o mundo da bola.
O ministro do Interior do Chile, Álvaro Elizalde, viajará a Buenos Aires por ordem do presidente do país, Gabriel Boric, para prestar auxílio aos feridos, alguns dos quais esfaqueados, segundo testemunhas, e acompanhar a situação dos detidos.
A Chancelaria do Chile informou que 19 chilenos estão hospitalizados e 101 foram presos. Seis menores de idade já foram libertados.
Uma fonte do Independiente que pediu anonimato disse à AFP que, no total, são 125 detidos.
As autoridades da Argentina ainda não passaram informações oficiais sobre o incidente, que provocou o cancelamento da partida.
"Vamos proteger os direitos dos nossos cidadãos sem prejudicar qualquer acusação que possa ser feita pela justiça", escreveu Boric na rede social X, onde denunciou o "inaceitável linchamento de chilenos".
- Fifa pede punições severas -
Torcedores de Independiente e 'La U' entraram em confronto nas arquibancadas do setor visitante armados com pedras e pedaços de pau. Um deles, inclusive - aparentemente chileno - tentou escapar pulando do andar superior depois de ser encurralado.
Segundo o embaixador do Chile na Argentina, José Antonio Viera-Gallo, a pessoa que se jogou está fora de perigo, já que um telhado amorteceu sua queda.
A imagem chocante da tentativa de fuga do torcedor foi registrada em vídeos gravados por outras pessoas que estavam no estádio e rapidamente viralizaram nas redes sociais.
Michael Clark, presidente da Universidad de Chile, afirmou que quatro das 12 pessoas atendidas inicialmente em um dos hospitais permanecem internadas, sendo duas em estado grave.
"Não há mortos por milagre", afirmou o dirigente.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu "punições exemplares" e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) prometeu que atuará "com a maior firmeza" contra os responsáveis.
A Conmebol não informou quais punições poderão receber o Independiente e a 'La U', mas o regulamento estabelece multas, perda de pontos, fechamento de estádios, eliminação e até exclusão de torneios futuros.
Em comunicado, a Confederação pediu aos clubes que participam de suas competições que "implementem as máximas medidas de prevenção e controle" quando forem a campo como mandantes.
- "Violência incomum" -
O caos se iniciou quando torcedores da 'La U' atiraram pedras, assentos, garrafas e outros objetos em direção à parte inferior das arquibancadas, onde estava a torcida do Independiente, confirmou um jornalista da AFP.
"Eles retiraram os equipamentos dos banheiros e atiraram na arquibancada, uma violência incomum. As prevenções que foram tomadas eram as lógicas. O início do problema ficou claro", disse Néstor Grindetti, presidente do Independiente.
O Ministério Público de Buenos Aires anunciou nesta quinta-feira o início das investigações.
"Foi feita uma inspeção visual do local onde aconteceram os fatos e foram solicitados os relatórios aos órgãos de segurança competentes, assim como as câmeras de segurança do estádio", disse a fonte do clube argentino à AFP.
Ariel Alarcón, da polícia de investigação do Chile, afirmou a jornalistas do lado de fora do Ministério Público que a libertação ou o eventual indiciamento dos detidos dependerá dos crimes dos quais eles serão acusados.
"Podem ser liberados ou processados ao longo do dia ou amanhã", afirmou.
Os incidentes aconteceram no início do segundo tempo, quando os times empatavam em 1 a 1. O árbitro suspendeu a partida e a Conmebol anunciou seu cancelamento depois. No jogo de ida, os chilenos haviam vencido por 1 a 0.
- Organização questionada -
A Conmebol e o Independiente foram acusados de cometerem falhas na organização da partida.
A Associação Nacional de Futebol Profissional (ANFP) do Chile criticou o clube argentino por sua "passividade" na hora de conter a violência.
O ministro da Segurança da província de Buenos Aires, Javier Alonso, acusou a Conmebol de atrasar a suspensão do jogo "quando era claro que havia uma atitude hostil".
Pelo menos 650 policiais e agentes de segurança privada foram desdobrados na operação. Relatos apontam que o contingente demorou a entrar na arquibancada onde ocorreram os primeiros incidentes.
Os jogadores da 'La U' deixaram o hotel onde estavam hospedados em Buenos Aires nesta quinta-feira rumo ao aeroporto para retornar ao Chile sem dar declarações à imprensa.
T.Ziegler--VB