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Ex-professor de Cambridge envolvido em escândalo de plágio é encontrado morto
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, pediu neste sábado (15) uma "reflexão" após a morte do professor britânico negro Jason Arday, que deixou a Universidade de Cambridge no início deste mês em meio a um escândalo de plágio marcado por acusações de racismo.
Arday, de 41 anos, foi encontrado sem vida na tarde de sexta-feira em uma residência no sul de Londres.
A morte é "uma tragédia", afirmou Burnham. "Não é o momento de fazer julgamentos precipitados. É, na verdade, um momento para refletir e entender como chegamos a esta situação", acrescentou.
A vice-reitora da Universidade de Cambridge, Deborah Prentice, declarou estar "profundamente consternada" com a notícia.
A família de Arday criticou o que chamou de "campanha de assédio" desencadeada após as acusações sobre seu trabalho acadêmico e sua vida pessoal.
"A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre buscava o melhor em cada pessoa", afirmou a família.
O escândalo começou depois que acadêmicos e reportagens acusaram Arday, que em 2023 se tornou o professor negro mais jovem de Cambridge, de plagiar trechos de sua tese de doutorado.
A imprensa britânica de direita e alguns comentaristas usaram as acusações para afirmar que o professor havia se beneficiado indevidamente de políticas de diversidade, igualdade e inclusão (DEI).
Arday anunciou em 5 de agosto que renunciaria ao cargo de professor e à posição de pesquisador no Jesus College, pouco depois de a instituição anunciar uma investigação.
Em uma carta publicada na internet, Arday afirmou que a demissão era "a única maneira" de encerrar um "período difícil", mas insistiu que a decisão não deveria "ser interpretada como uma aceitação das narrativas que circularam" sobre ele.
- Acusações na imprensa -
A Polícia Metropolitana informou que recebeu uma ligação do Serviço de Ambulâncias de Londres após um homem ser encontrado inconsciente em uma residência no bairro de Battersea.
"Infelizmente, um homem de 41 anos foi declarado morto no local", informou a polícia, que não confirmou sua identidade.
A polícia acrescentou que a morte é considerada inesperada, mas que não há indícios de circunstâncias suspeitas. O caso está sob investigação.
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que Arday "foi vítima de uma humilhação pública perniciosa à qual outras pessoas em sua situação simplesmente não teriam sido submetidas".
A controvérsia aumentou em julho, depois que Nathan Cofnas, acadêmico americano que se define como "realista racial" e que rompeu vínculos com Cambridge em 2024 em meio a acusações de racismo, publicou denúncias contra Arday.
Entre elas estava a acusação de que várias partes de sua tese haviam sido copiadas de outros trabalhos.
Os jornais The Times e The Telegraph publicaram reportagens investigativas sobre a produção acadêmica e a vida pessoal de Arday.
Em entrevista ao The Times no início deste mês, Arday admitiu ter cometido "erros" acadêmicos, mas afirmou que estava sendo injustamente "retratado como um mentiroso, um fantasioso e uma fraude acadêmica". Arday também afirmou que a "campanha para me destituir do meu cargo" era "motivada por questões raciais".
Arday publicou o livro de memórias "Great and Unfortunate Things", no qual relata que, após receber diagnósticos de autismo e atraso global do desenvolvimento na infância, só começou a falar aos 11 anos e aprendeu a ler e escrever aos 18.
J.Marty--VB