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Irã apresenta acordo para acabar com a guerra como 'declaração de derrota dos EUA'
O Irã afirmou, nesta quarta-feira (24), que o acordo alcançado para acabar com a guerra no Oriente Médio é "uma declaração de derrota dos Estados Unidos", no momento em que o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, faz uma viagem pelos países do Golfo mais afetados pelas ações de represália de Teerã.
As hostilidades, que começaram com uma campanha de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, foram suspensas após a assinatura, na semana passada, do pacto preliminar.
O conflito provocou um momento de caos na região. Em represália, Teerã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma via comercial crucial para os hidrocarbonetos, e lançou milhares de drones e mísseis contra seus vizinhos do Golfo, onde Washington mantém uma grande presença militar.
Após a assinatura do acordo, as partes iniciaram um processo que pretende alcançar um pacto permanente, o que deu fôlego às autoridades do Irã.
"O memorando de entendimento de Islamabad não é resultado de pressão nem de coerção, e sim o resultado da resistência e da determinação da corajosa nação iraniana", declarou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, sobre o acordo, que foi alcançado graças à mediação do Paquistão.
"Por isso, o memorando de entendimento de Islamabad adquiriu o valor de uma declaração de derrota dos Estados Unidos", acrescentou.
Washington mantém várias bases militares na região, especialmente no Golfo, justamente onde Rubio iniciou nesta quarta-feira uma viagem com o objetivo de tranquilizar seus aliados.
- "NÃO ESTÃO SENDO COBRADOS PEDÁGIOS", diz Trump -
O secretário de Estado discutiu o acordo nesta quarta-feira com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e renovou o compromisso de Washington "com a segurança dos Emirados", segundo um porta-voz.
Rubio também visitará Kuwait e Bahrein, onde participará de uma reunião do Conselho de Cooperação do Golfo.
O chefe da diplomacia americana antecipou que pretende abordar com as autoridades regionais o memorando de entendimento com Teerã, que não menciona o programa de mísseis iraniano nem o apoio a seus grupos aliados – como o Hezbollah no Líbano e os rebeldes houthis no Iêmen –, duas preocupações de longa data para os países vizinhos e para Israel.
Paralelamente, um diplomata disse à AFP que a Arábia Saudita deverá sediar reuniões para discutir uma possível reconciliação entre os países do Golfo e o Irã, embora ainda não haja data definida.
O acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra passava cerca de 20% dos hidrocarbonetos consumidos no mundo. O Irã, porém, deseja cobrar taxas pelo uso da rota marítima, cujo funcionamento, segundo Teerã, não voltará a ser como antes do conflito.
Os Estados Unidos se opõem firmemente à cobrança dessas taxas. Nesta quarta-feira, Donald Trump afirmou que o Irã garantiu que "NÃO ESTÃO SENDO COBRADOS PEDÁGIOS, NEM CUSTOS DE SEGURO, NEM QUALQUER OUTRO TIPO DE TAXA" na passagem.
Enquanto 11 mil marinheiros ainda retidos em Ormuz começaram a ser evacuados, o preço do petróleo Brent continuou em queda, ficando abaixo de 75 dólares (R$ 386) por barril pela primeira vez desde o início da guerra, bem distante do pico de 126 dólares (R$ 648) alcançado durante o conflito.
- Inspeções da AIEA -
Um dos principais pontos de divergência é o programa nuclear do Irã, que há muito tempo é fonte de tensão com as potências ocidentais, que suspeitam que Teerã deseja produzir uma bomba, acusação que o Irã nega sistematicamente.
Trump disse na terça-feira que o Irã "aceitou plena e completamente" permitir que os inspetores atômicos da ONU retornem ao país, mas o Irã afirmou que não tem intenção de autorizar.
Nesta quarta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, confirmou que as inspeções nas instalações nucleares iranianas "vão acontecer", mas não anunciou um calendário específico.
- "Como a fênix" -
O principal negociador iraniano também reiterou que a paz no Líbano, arrastado para a guerra após ataques do Hezbollah contra Israel, é um elemento fundamental para a conclusão de um acordo definitivo com Washington.
No país, o Exército israelense continua sua campanha contra o Hezbollah. Nesta quarta-feira, a agência estatal libanesa NNA informou que duas pessoas morreram em um ataque com drone contra um veículo na região de Nabatieh, no sul do país.
Em Tiro, também no sul do Líbano, moradores tentavam remover os escombros aproveitando uma redução dos combates que, segundo a prefeitura local, danificaram mil residências.
"Sacudimos a poeira e voltamos a nos levantar como a fênix", disse Husein Hasan em sua barbearia, que perdeu a fachada por causa dos bombardeios.
Segundo as autoridades libanesas, mais de 4.100 pessoas morreram em operações do Exército israelense desde o início de março.
F.Wagner--VB