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Economia da China resiste às consequências da guerra no primeiro trimestre
O crescimento da China superou as expectativas no primeiro trimestre de 2026 e alcançou 5% em termos anuais, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta‑feira (16), apesar das consequências da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial.
O resultado, acompanhado com grande atenção pelos mercados, foi divulgado em um momento de alta expressiva dos preços internacionais da energia como reação à guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O conflito alterou o tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural mundiais antes do bloqueio praticamente total da via por parte do Irã. O cenário afetou o comércio entre o Oriente Médio e a China.
O Produto Interno Bruto (PIB) da China, segunda maior economia do mundo, cresceu 5% em termos anuais entre janeiro e março, anunciou o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), acima dos 4,8% projetados por economistas consultados pela AFP.
A economia da China "conseguiu um forte começo de ano, demonstrando ainda mais sua resiliência e vitalidade", afirmou o ONE em um comunicado.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou esta semana uma redução em suas previsões de crescimento mundial para 2026 devido à guerra no Oriente Médio.
Até o momento, a China absorveu o impacto energético melhor que outros países asiáticos, graças às suas importantes reservas estratégicas de petróleo, à diversificação de suas fontes de abastecimento e ao uso do carvão, segundo vários analistas.
O país, no entanto, pode ser afetado pela desaceleração econômica se a crise prosseguir por muito tempo no Oriente Médio.
- Consumo e desemprego -
A China mantém para este ano uma meta de crescimento anual de 4,5% a 5%, a menor previsão em décadas.
A segunda maior economia do mundo enfrenta uma crise prolongada no setor imobiliário, uma taxa elevada de desemprego entre os jovens e uma queda no consumo interno, cenário que levou o país a depender das exportações para atingir suas metas econômicas.
No relatório divulgado esta semana, o FMI reduziu a previsão de crescimento da China neste ano para 4,4%, 0,1 ponto percentual abaixo da meta do governo.
Dados divulgados no início da semana por Pequim mostram que o crescimento das exportações registrou uma desaceleração considerável em março, o que indica que a guerra no Oriente Médio começa a ter consequências.
O ONE anunciou nesta quinta-feira outros dados econômicos que não são tranquilizadores.
As vendas no varejo – principal indicador do consumo na China – desaceleraram mais do que o previsto em março, com um aumento de 1,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Economistas entrevistados pela agência financeira Bloomberg haviam projetado um aumento de 2,4% para o indicador.
Por sua vez, a produção industrial registrou em março um crescimento em termos anuais de 5,7%, acima dos 5,3% projetados na pesquisa da Bloomberg, mas abaixo dos 6,3% registrados no período anterior, de janeiro e fevereiro.
- "Dependente" -
O crescimento no primeiro trimestre foi impulsionado pelas exportações, pelo setor de construção e pela indústria, e não tanto pela demanda interna, destaca em uma nota Zichun Huang, analista da empresa de consultoria Capital Economics.
"Acreditamos que o crescimento vai desacelerar levemente durante o ano", afirmou.
"Embora a economia chinesa permaneça firme, está cada vez mais dependente da demanda externa", acrescentou a analista, para quem a guerra no Irã "apenas reforçará a tendência".
Muitos fornecedores chineses e compradores internacionais presentes na Feira de Guangzhou (sul da China), a maior feira comercial do país, expressaram preocupação à AFP com o impacto da guerra nos seus negócios. Também mencionaram uma queda nas encomendas e o aumento dos custos de transporte.
O governo admitiu na terça-feira "muitas incertezas e instabilidades no ambiente externo".
R.Flueckiger--VB