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Panamá diz que não permitirá que 'detenções' de navios na China continuem
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou nesta quinta-feira (9) que seu país não quer problemas com a China, mas tampouco permitirá que continuem as "detenções" em seus portos de navios sob bandeira panamenha em represália por um litígio com a companhia de Hong Kong Hutchison.
As relações entre Panamá e China se tensionaram a partir de uma decisão da justiça panamenha que anulou, em janeiro, o contrato pelo qual a Panama Ports Company (PPC) — filial da Hutchison — operava dois portos nas entradas do Canal do Panamá.
A sentença ocorreu em meio a pressões de Estados Unidos pela presença chinesa na via interoceânica, que se intensificaram na semana passada com a denúncia americana de que Pequim está retendo navios em seus portos sob bandeira panamenha, no contexto da disputa com a Hutchison.
"Não nos interessa (...) ter um problema com a China, mas também não vamos permitir que essas coisas continuem ad infinitum", advertiu Mulino em entrevista coletiva no porto de Balboa, um dos que era administrado pela PPC, no Pacífico.
O mandatário destacou que os atrasos provocados pelas inspeções comprometem a carga mundial, que "sai da China em grandes proporções", mas que, segundo ele, também afetam o gigante asiático.
"Os navios não são propriedade, até onde eu sei, de alguma empresa panamenha. Todas são empresas de nível mundial (...). A única coisa que desejo é que essa situação desescale (...) e voltemos a uma normalidade", ressaltou.
Na quinta-feira passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que "apoia firmemente o Panamá" diante da retenção de navios, negada por Pequim.
A chancelaria chinesa insistiu que tudo se deve a um plano americano para "reivindicar a hegemonia sobre o canal" do Panamá.
Mulino disse que seu governo busca determinar a validade das "detenções", pois "não é usual", embora tenha descartado que sejam "retaliações políticas" e sustentado que os números de retenção de outros concorrentes "não estão muito abaixo dos nossos".
Em decorrência da decisão da justiça panamenha, a PPC recorreu em fevereiro à Câmara de Comércio Internacional, em Paris, e exige do Panamá cerca de 2 bilhões de dólares por danos e prejuízos.
Também processou em Londres a empresa de transporte marítimo dinamarquesa Maersk, à qual o Panamá concedeu temporariamente a operação do porto de Balboa, alegando que ela se aliou às autoridades panamenhas para lhe retirar a operação.
"Não nos alinhamos com ninguém", afirmou Mulino nesta quinta-feira, um dia após a Maersk declarar que "não acredita ser responsável pelas reivindicações" da PPC.
O porto de Cristóbal, no Atlântico, também foi cedido temporariamente a uma subsidiária da gigante ítalo-suíça MSC.
F.Fehr--VB