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Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar (FMI)
O conflito no Oriente Médio pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, uma situação que pode ficar ainda mais grave, alertou nesta quinta-feira (9) a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
Em seu tradicional discurso de abertura anterior às reuniões de primavera no hemisfério norte — que começam na terça-feira — a chefe do FMI afirmou que a instituição prevê uma demanda adicional por assistência dos países membros "entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões (R$ 101 bilhões e R$ 254 bilhões)", dependendo da manutenção do cessar-fogo.
"A situação teria sido pior sem políticas sólidas por parte da maioria das economias emergentes... e temos os recursos necessários para enfrentar esse impacto", afirmou Georgieva.
No entanto, a forte alta nos preços da energia e as interrupções no fornecimento de petróleo, gás natural e fertilizantes representam o risco de levar "pelo menos 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar".
Isso elevaria o número total "de pessoas que sofrem de fome para mais de 360 milhões", alertou. "Mesmo no melhor cenário, não haverá um retorno imediato" à situação anterior ao início das hostilidades.
Na terça-feira, o FMI deverá publicar uma versão atualizada de seu relatório sobre as perspectivas da economia global, que deve considerar os efeitos do conflito.
No entanto, devido às incertezas, o estudo incluirá uma série de cenários, desde uma normalização relativamente rápida da situação geopolítica até um cenário em que os preços do petróleo e do gás permaneçam elevados por muito mais tempo e as consequências se consolidem.
Isso poderia "colocar em dúvida a ancoragem" das expectativas de inflação do mercado e desencadear um novo e custoso ciclo de inflação para as economias globais.
- "Esperar e avaliar" -
Em todo caso, Georgieva admitiu: "Mesmo o nosso melhor cenário prevê uma revisão para baixo do crescimento global".
"Danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos, perda de confiança e outros fatores são responsáveis" por essa situação, e "o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura".
No entanto, os efeitos não são os mesmos em todas as regiões do planeta. Países importadores de petróleo e países de baixa renda — que possuem margem fiscal mais limitada — estarão entre os mais afetados.
"Considere as nações insulares do Pacífico, no final da cadeia de suprimentos, sem saber se receberão a energia de que precisam devido a essas graves interrupções", acrescentou a diretora-geral do Fundo.
Em um relatório divulgado na quarta-feira, o Banco Mundial observou que os países do Oriente Médio pagaram "um custo econômico imediato e severo" devido à guerra.
Está prevista uma queda de 0,6 ponto percentual no crescimento da região em comparação com as projeções anteriores à guerra, chegando a 1,8% em 2026, acrescenta o banco.
Diante dessa situação, os governos "podem ajudar de diversas maneiras", afirmou Georgieva, mas devem evitar medidas como o controle de exportações ou de preços.
No curto prazo, "é aconselhável aguardar e avaliar" a evolução da situação geopolítica; contudo, caso as expectativas de inflação se alterem, "os bancos centrais devem agir com firmeza, elevando as taxas de juros", concluiu.
D.Schaer--VB