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Irã tem 'vontade' de encerrar a guerra, mas quer garantias, diz presidente
O Irã tem a "vontade necessária" para pôr fim à guerra com os Estados Unidos e Israel, afirmou, nesta terça-feira (31), o presidente Masoud Pezeshkian, mas quer garantias de que o conflito não vai se repetir.
A declaração do presidente iraniano ocorreu após um dia de intensos bombardeios sobre o Irã e depois de uma advertência da poderosa Guarda Revolucionária.
O exército ideológico do Irã ameaçou atacar grandes empresas tecnológicas americanas no Oriente Médio, como Google, Meta e Apple se novos dirigentes iranianos forem "assassinados".
Vários altos funcionários, inclusive o líder supremo da República Islâmica, morreram desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma onda de ataques aéreos contra o Irã.
Apesar dos esforços diplomáticos, a guerra no Oriente Médio não dá sinais de distensão, após mais de um mês de hostilidades, que prejudicaram a economia mundial e deixaram milhares de mortos.
Os próximos dias serão "decisivos", afirmou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, assegurando que as negociações com o Irã "estão ganhando força".
O presidente iraniano fez o comentário durante um telefonema com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, segundo um comunicado de seu gabinete.
"Temos a vontade necessária para pôr fim a este conflito, desde que sejam cumpridas as condições essenciais, especialmente as garantias requeridas para evitar que a agressão se repita", disse, reiterando uma das principais exigências de Teerã.
Na segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou o Irã com ataques a suas instalações energéticas se as negociações não chegarem a um bom lugar "rapidamente" e se Teerã não desbloquear "de imediato" o Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.
Nesta terça, intensos bombardeios atingiram várias regiões do Irã, inclusive a cidade central de Isfahan e a capital, Teerã, onde jornalistas da AFP ouviram explosões e as defesas aéreas foram ativadas.
Veículos estatais também reportaram danos em um centro religioso xiita em Zanjan, no noroeste do país.
- "Sinto falta dos dias normais" -
Moradores da capital iraniana descrevem a vida em uma cidade em tempos de guerra que ainda tenta se agarrar à rotina, apesar dos bombardeios constantes.
"Ultimamente, tenho ficado em casa quase o tempo todo e só saio se for absolutamente necessário", disse Shahrzad, uma dona de casa de 39 anos.
"Às vezes, me pego chorando em meio a tudo isso. Sinto falta dos dias normais", lamentou.
Em meio ao cerco ao seu território, o Irã também continuou disparando contra Israel e os aliados americanos no Golfo, acompanhado na guerra regional por seu aliado Hezbollah, no Líbano, e os rebeldes huthis no Iêmen.
Um jornalista da AFP ouviu pelo menos dez explosões sobre Jerusalém, após um alerta sobre mísseis iranianos emitido pelo exército israelense.
Em Dubai, explosões foram ouvidas e duas pessoas ficaram feridas perto da capital saudita, Riade, onde as defesas aéreas interceptaram um drone.
A empresa estatal de petróleo do Kuwait informou que um de seus petroleiros esteve temporariamente em chamas em frente a Dubai, após um "ataque iraniano direto e malicioso".
- Líbano denuncia nova "ocupação" -
Caso a diplomacia falhe, Trump planeja pedir a seus aliados europeus e do Golfo que forcem a reabertura do Estreito de Ormuz, disseram autoridades americanas.
A guerra envolveu diversos outros países do Oriente Médio, incluindo o Líbano, depois que o grupo islamista Hezbollah atacou Israel em solidariedade ao Irã no início de março.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, declarou que seu país planeja ocupar uma parte do sul do Líbano quando a guerra terminar.
O governo libanês denunciou o plano israelense como uma nova "ocupação" de seu território.
O ministro da Defesa do Líbano, general de divisão Michel Menassa, afirmou que as declarações de Katz "não são mais meras ameaças", mas refletem "uma intenção clara de impor uma nova ocupação do território libanês, deslocar à força centenas de milhares de cidadãos e destruir sistematicamente povoados e cidades do sul".
Em Nova York, a ONU realizará uma reunião de emergência do seu Conselho de Segurança nesta terça-feira, na sequência dos "incidentes muito graves" em que três soldados de paz indonésios da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) foram mortos.
Uma fonte de segurança da ONU declarou à AFP que o capacete azul indonésio que morreu no domingo foi vítima de artilharia israelense.
burs-jfx/fox/mas/arm/fp/jc/yr/mvv/ic
P.Vogel--VB