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Cubanos aguardam chegada de petróleiro russo em meio a bloqueio dos EUA
Os cubanos receberam nesta segunda-feira (30), com cautela, a notícia da chegada iminente de um carregamento de petróleo russo, em meio ao bloqueio energético dos Estados Unidos.
O navio Anatoly Kolodkin, alvo de sanções americanas, transporta 730.000 barris, o primeiro carregamento de petróleo que Cuba vai receber desde janeiro, quando forças americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro, cuja queda privou Cuba de seu principal fornecedor de petróleo e desencadeou uma crise energética na ilha.
Após impedir a chegada de petróleo venezuelano e de outros países, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que não tinha "nenhum problema" com o envio de petróleo russo para a ilha.
"Você não sabe a falta que esse petróleo nos faz", disse à AFP a aposentada Rosa Pérez, 74, que passeava pela baía de Matanzas, a 100 km de Havana, onde o petroleiro russo deve atracar na manhã desta terça-feira, segundo o site especializado MarineTraffic. "Oxalá venham muitos mais navios", acrescentou Rosa, que disse estar cansada dos apagões e de ter que cozinhar com carvão.
Outros cubanos se mostraram menos otimistas. O petróleo russo "é um alívio, mas não é a solução", ressaltou o aposentado Orlando Ocaña, 76. Já o jardineiro Raúl Pomares, 56, considerou a chegada do recurso "pouco para o que o país precisa".
O governo russo, que criticou Washington por bloquear o fornecimento de combustível à ilha, comemorou a chegada do navio. "A Rússia considera seu dever dar um passo à frente e fornecer a ajuda necessária aos nossos amigos cubanos", disse em Moscou o porta-voz do Kremlin, que acrescentou que houve conversas com os Estados Unidos sobre o envio.
- Sem mudança de política -
Washington esclareceu hoje que a chegada do navio à ilha não representa uma mudança em sua política de sanções contra Cuba, onde a crise de energia se aprofundou em janeiro, quando Trump cortou o fluxo de petróleo venezuelano.
O presidente americano afirma que Cuba representa "uma ameaça excepcional" à segurança nacional, devido à relação da ilha com Rússia, China e Irã. Já o México negocia com empresas privadas interessadas em comprar combustíveis da estatal Pemex para revendê-los a companhias cubanas, informou hoje a presidente Claudia Sheinbaum.
Cuba tem capacidade de processar de 40.000 barris diários de petróleo pesado, que são usados para alimentar as oito termelétricas que formam a base de seu sistema elétrico. Mas Havana depende da importação de diesel e gás liquefeito de petróleo.
Após a chegada do petróleo do Anatoly Kolodkin, seriam necessários entre 15 e 20 dias para distribuir os produtos refinados, disse Jorge Piñón, especialista da Universidade do Texas. O carregamento russo poderia se transformar em 250.000 barris de diesel, o suficiente para suprir a demanda do país por 12 dias e meio, indicou.
O governo terá que decidir se destina o combustível aos geradores elétricos ou aos ônibus, tratores e trens necessários para manter a economia em funcionamento por duas semanas, observou Piñón.
Cuba sofreu sete apagões gerais desde o fim de 2024, dois deles neste mês, o que gerou protestos incomuns na ilha.
D.Schlegel--VB