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Veleiros com ajuda humanitária chegam a Cuba após serem localizados
Dois veleiros que transportam ajuda humanitária para Cuba chegaram à Havana neste sábado (28), após uma longa viagem a partir do México, durante a qual desapareceram e foram encontrados em uma missão de busca.
Os barcos, que estavam desaparecidos com nove pessoas a bordo entre a quinta-feira e este sábado, navegam em frente ao litoral da capital cubana e seguem rumo ao porto, constatou um jornalista da AFP.
As embarcações trazem os últimos carregamentos do comboio "Nossa América", uma iniciativa humanitária internacional que levou ajuda para apoiar Cuba, quando um bloqueio petrolífero americano agrava a crise energética e econômica da ilha.
Segundo as previsões, as embarcações Friend Ship e Tiger Moth, que zarparam da península de Yucatán, no sudeste do México, deveriam ter chegado a Cuba entre terça e quarta-feira.
Mas a Marinha mexicana perdeu contato com os veleiros e ativou uma operação de busca na quinta-feira.
Neste sábado, a Marinha mexicana informou que uma de suas aeronaves localizou as embarcações 80 milhas náuticas a noroeste de Havana.
O comboio completará sua missão para entregar "ajuda humanitária urgentemente necessária ao povo cubano", disse mais cedo um porta-voz do comboio "Nossa América".
Nem a Marinha nem o porta-voz explicaram por que as duas embarcações perderam o contato.
Na sexta-feira, declarações conflitantes do México e dos Estados Unidos geraram ainda mais incerteza em relação ao destino dos dois veleiros.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, havia declarado que a "busca" pelas duas embarcações estava em andamento.
No entanto, quase simultaneamente, a Guarda Costeira americana informou à AFP que "havia recebido um relato de que as duas embarcações transitaram em segurança para Cuba".
A Marinha mexicana não detalhou a identidade nem as nacionalidades dos tripulantes.
- 'Cuba é a próxima' -
O primeiro barco da flotilha humanitária chegou ao porto de Havana na terça-feira com 30 toneladas de ajuda, principalmente alimentos, insumos médicos e painéis solares.
Na semana passada, também chegaram os primeiros carregamentos em avião de Europa, América Latina e Estados Unidos.
No total, os organizadores do comboio esperam levar até a ilha cerca de 50 toneladas de ajuda humanitária.
Após interromper em janeiro o envio de petróleo da Venezuela, o principal fornecedor de Cuba durante 25 anos, o governo Trump efetivou um embargo petrolífero sobre a ilha.
"Cuba é a próxima", afirmou Trump na sexta-feira, em uma nova ameaça a Havana.
Em ocasiões anteriores, o mandatário americano especulou sobre tomar o controle da ilha, mas sem especificar como planejaria fazê-lo.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse na semana passada que qualquer agressor externo enfrentaria uma "resistência inexpugnável".
Na sexta-feira, o navio Huasteco, da Marinha mexicana, chegou a Havana com 111 toneladas de alimentos e outras doações arrecadadas por organizações civis mexicanas, informou a televisão cubana.
Trata-se do quarto carregamento de ajuda humanitária que o governo de Sheinbaum envia à ilha desde meados de fevereiro. O México já entregou a Cuba mais de 3 mil toneladas de insumos, como leite, produtos cárneos, feijão, arroz e artigos de higiene pessoal.
"O México e a presidente do México não têm ideia de quantas cubanas e quantos cubanos gostariam de agradecer pessoalmente à presidente por tudo o que ela fez por Cuba recentemente", disse Díaz-Canel em uma entrevista concedida ao jornal mexicano La Jornada na quinta-feira.
I.Stoeckli--VB