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Fortes explosões abalam o Irã durante manifestação com autoridades
Explosões massivas abalaram a capital do Irã nesta sexta-feira (13) durante uma manifestação pró-governo que contava com a presença de diversas autoridades de alto escalão, no décimo quarto dia da guerra no Oriente Médio que afeta a economia global.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, deflagraram uma guerra que se intensificou ainda mais na manhã desta sexta-feira.
Uma série de fortes explosões, em curtos intervalos e de intensidade incomum, sacudiu Teerã.
Isso não impediu que alguns dos principais líderes do Irã participassem de uma manifestação no coração da capital.
O chefe de segurança Ali Larijani e o presidente Masoud Pezeshkian, que até então se mantinham em grande parte fora dos holofotes, estavam presentes, assim como o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Imagens transmitidas pela televisão estatal mostram a manifestação reagindo às explosões que sacudiram bairros próximos e às densas colunas de fumaça que surgiram em seguida.
Pelo menos uma mulher morreu nos bombardeios, segundo a agência de notícias Irna.
- "Trump não entende" -
Entoando slogans como "morte aos Estados Unidos" e queimando bandeiras israelenses, os manifestantes prometeram o inferno ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
"O problema de Trump é que ele não entende que o povo iraniano é uma nação corajosa, uma nação forte, uma nação determinada", declarou Larijani na televisão estatal.
O novo líder, Mojtaba Khamenei, não foi visto; ele não aparece em público desde que assumiu o poder após a morte do pai.
Na quinta-feira, sua primeira mensagem foi lida por uma apresentadora na televisão nacional. Nela, ele pediu vingança pela morte do pai e por todas as vítimas dos "crimes" americanos e israelenses neste conflito.
- Atacar "com muita força" -
Há muita incerteza em relação à saúde de Khamenei.
O chefe do Pentágono declarou nesta sexta-feira que o novo líder iraniano foi ferido no ataque que matou seu pai e que "provavelmente está desfigurado".
Em entrevista, Donald Trump antecipou que o exército americano atacará o Irã "com muita força" na próxima semana, mas manteve-se cauteloso quanto a uma resolução rápida do conflito, estimando que a mudança de regime promovida pelo povo iraniano ocorrerá, mas "talvez não imediatamente".
Ele também considerou "possível" que o presidente russo, Vladimir Putin, estivesse fornecendo "um pouco" de assistência ao Irã, embora tenha insinuado não ver problema nisso.
No Irã, a guerra provocou êxodos internos significativos, com mais de três milhões de deslocados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
"Quase todas as famílias aqui estão acolhendo pelo menos uma família que veio de Teerã", disse à AFP uma mulher de 30 anos que vive em Kermanshah (oeste).
Quanto ao número de mortos, o Ministério da Saúde do Irã informou em 8 de março que ultrapassou 1.200, um número que a AFP não conseguiu verificar de forma independente.
- Comércio mundial abalado -
No Golfo, a série de ataques iranianos contra monarquias ricas em petróleo continua, algumas das quais abrigam bases americanas.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou o lançamento de mísseis e drones contra Israel, juntamente com o movimento libanês Hezbollah, apoiado por Teerã.
No Líbano, os ataques do exército israelense, determinado a "destruir" a rede do Hezbollah, mataram 773 pessoas, incluindo 103 crianças, e feriram quase 2.000 desde o início da guerra, segundo as autoridades.
Em mais um indício de que o conflito continua se espalhando, a guerra fez sua primeira baixa entre as fileiras da França, um país com tropas na região, mas que não participa da campanha de bombardeios contra o Irã.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que um soldado foi morto em um ataque na região iraquiana de Erbil.
Sem reivindicar a autoria do ataque, o grupo armado iraquiano pró-Irã, Ashab al-Kahf, anunciou que, a partir de então, atacaria "todos os interesses franceses" na região devido à mobilização do porta-aviões "Charles de Gaulle" no Mediterrâneo Oriental.
Em outra região do Iraque, um avião-tanque americano caiu, matando todos os seis tripulantes, segundo informações do exército dos EUA.
Embora Washington afirme que o incidente não foi causado por "fogo amigo ou inimigo", o exército iraniano alegou que o avião foi atingido por um míssil disparado por grupos armados pró-Irã e que toda a tripulação morreu.
Essa guerra em múltiplas frentes também afeta o comércio global. O Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica por onde passa um quinto do petróleo mundial.
Apesar da liberação recorde de reservas de petróleo, o preço do petróleo disparou nos últimos dias, chegando a pouco mais de 100 dólares (cerca de 525 reais) por barril nesta sexta-feira.
burs-rle/eml/arm-erl-meb/ahg/aa
D.Schlegel--VB