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Fortes explosões abalam Teerã
Explosões em larga escala sacudiram nesta sexta-feira (13) a capital do Irã, que continua respondendo com o lançamento de drones contra os países do Golfo, no 14º dia da guerra no Oriente Médio, que provoca graves consequências para a economia mundial.
O planeta enfrenta as consequências da alta do petróleo, uma situação que levou o governo dos Estados Unidos a flexibilizar parcialmente as sanções impostas à Rússia pela invasão da Ucrânia, com a permissão temporária da venda do petróleo russo armazenado em navios.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei em 28 de fevereiro iniciaram uma guerra que se intensificou ainda mais na manhã desta sexta-feira.
Uma série de explosões potentes, em intervalos curtos e com intensidade incomum, sacudiu Teerã.
O Exército israelense anunciou ataques "direcionados contra as infraestruturas do regime terrorista iraniano" e recomendou a evacuação de duas áreas centrais da capital.
Os alvos concretos são desconhecidos, mas um jornalista da AFP observou duas nuvens de fumaça nas zonas leste e norte da cidade, apesar da pouca visibilidade devido ao tempo chuvoso em Teerã.
Segundo a televisão pública, explosões foram ouvidas no centro de Teerã, perto de uma manifestação organizada por ocasião de um dia anual de apoio aos palestinos.
- "Morte aos Estados Unidos" -
O Irã celebra nesta sexta-feira o Dia de Al Qods, em solidariedade aos palestinos e contra Israel. "Morte aos Estados Unidos", afirmavam faixas e cartazes dos manifestantes, segundo imagens exibidas pela televisão estatal iraniana.
O evento contou com a presença do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, um dos principais dirigentes do país, que afirmou que os ataques de Washington são fruto do "desespero".
A guerra provocou uma fuga em massa dentro do país, com mais de três milhões de deslocados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
"Quase todas as famílias aqui abrigam pelo menos uma família que veio de Teerã", declarou à AFP uma mulher de 30 anos, moradora de Kermanshah, no leste do país.
"A população está extremamente tensa e indignada", em particular com o racionamento de pão ou de fita adesiva, usada para proteger os vidros das explosões.
A guerra provocou a primeira baixa entre os militares da França, um país que mantém tropas na região, mas que não participa da campanha de bombardeios contra o Irã.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que um militar morreu em um ataque na região iraquiana de Erbil.
Sem reivindicar o ataque, um grupo armado iraquiano pró-Irã, Ashab al Kahf, anunciou que "todos os interesses franceses" na região serão alvos devido à presença do porta-aviões Charles de Gaulle no Mediterrâneo Oriental.
Em outra região do Iraque, um avião de reabastecimento americano caiu e provocou a morte de pelo menos quatro dos seis tripulantes, informou o Exército dos Estados Unidos.
Embora Washington afirme que o acidente não foi provocado por "fogo hostil, nem fogo amigo", o Exército iraniano anunciou que o avião foi atingido por um míssil lançado por movimentos armados pró-Irã e que toda a tripulação morreu no ataque.
No Golfo, prossegue a sucessão de ataques iranianos contra monarquias petrolíferas, incluindo algumas que abrigam bases americanas.
Jornalistas da AFP ouviram explosões em Dubai e o centro da cidade estava coberto por uma nuvem de fumaça nesta sexta-feira.
A Arábia Saudita afirmou que destruiu dezenas de drones, um deles direcionado contra o bairro diplomático de Riade. Em Omã, duas pessoas morreram devido ao impacto de um drone, segundo a agência de notícias local.
O governo iraniano mantém o discurso de desafio desde o primeiro dia do conflito.
Na quinta-feira, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, advertiu Trump que a guerra "não pode ser vencida com alguns tuítes". "Não vamos descansar até que você se arrependa deste grave erro de cálculo", disse, depois que Mojtaba Khamenei fez sua primeira declaração pública como novo líder supremo do país.
- Resposta "mais forte" -
O governo iraniano mantém o discurso de desafio desde o primeiro dia do conflito.
Na quinta-feira, em sua primeira declaração pública como novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, ferido no ataque que matou seu pai, foi taxativo.
Ele pediu o fechamento das bases americanas em todo o Oriente Médio, afirmou que seu país é capaz de semear o caos com a redução da oferta de petróleo e defendeu o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
O novo líder supremo "não pode mostrar o rosto em público", ironizou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirma que o objetivo da guerra é dar aos iranianos os meios para "derrubar o regime".
Para o presidente americano, Donald Trump, derrotar o "império do mal" do Irã, para impedir que desenvolva armas nucleares, é mais importante do que o aumento dos preços dos combustíveis.
O petróleo permanecia com a cotação ao redor de 100 dólares por barril nesta sexta-feira, apesar da liberação recorde de reservas de combustíveis.
A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu que a guerra poderia provocar "a maior interrupção do abastecimento" na história do setor.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou que está preparada para uma longa campanha, mesmo que isto signifique "destruir" a economia mundial.
Nesta sexta-feira, a Guarda Revolucionária advertiu que qualquer nova manifestação contra o regime enfrentará uma resposta "mais forte" do que em janeiro, quando milhares de pessoas morreram durante a repressão aos protestos contra o governo.
burs-rle/eml/arm-erl/dbh/fp
L.Maurer--VB